Justiça francesa retoma julgamento de chileno acusado de matar ex-namorada japonesa em 2016

A Justiça francesa julga novamente, a partir desta terça-feira, o chileno Nicolás Zepeda pela morte de sua ex-namorada japonesa Narumi Kurosaki, após a anulação de sua condenação a 28 anos de prisão neste caso sem corpo. Legislação da Indonésia: Três europeus são detidos por produção e divulgação de conteúdo pornográfico em Bali Atentados na Nigéria: Ao menos 23 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas O tribunal de apelação de Vesoul confirmou, em 2023, a pena imposta em 2022 a Zepeda por assassinato premeditado, mas a Corte de Cassação francesa determinou no ano passado um novo julgamento por irregularidades. A partir das 9h30 (8h30 GMT), um tribunal de Lyon, no leste da França, deverá determinar novamente se o chileno é responsável pelo desaparecimento, em dezembro de 2016, da jovem japonesa de 21 anos em Besançon, onde estudava francês. "Eu não matei Narumi", reiterou Zepeda durante o julgamento de apelação em Vesoul. Desde sua extradição do Chile, em meados de 2020, ele está em prisão preventiva na França. Seu advogado, Sylvain Cormier, já afirmou que seu cliente continuará defendendo sua inocência no novo julgamento com júri popular, que deve se estender por vários dias. Acusação aponta crime premeditado Para a acusação, Zepeda teria atravessado o Atlântico no fim de 2016, dois meses após terminar o relacionamento com a jovem, sem avisá-la, com o objetivo de reconquistá-la ou, caso contrário, matá-la. Após espioná-la durante vários dias na residência universitária Rousseau, em Besançon, em 4 de dezembro de 2016 ele se encontrou com ela e foram jantar juntos. Em seguida, ele a teria matado durante a madrugada em seu quarto. Os "gritos de mulher" que estudantes ouviram são a "prova central" de que ela morreu, sustentou em 2023 o então promotor, Étienne Manteaux. Um dia depois, ele teria se desfeito do corpo em uma área florestal próxima ou no rio Doubs. Posteriormente, ele teria invadido suas contas em redes sociais para fazer parecer que a jovem, que conheceu no Japão em 2014, ainda estava viva, enquanto ganhava tempo para retornar ao Chile. Apesar de o corpo nunca ter sido encontrado, a acusação se baseia na quantidade de indícios que corroborariam tratar-se de um crime premeditado: depoimentos, dados de telefonia, geolocalização do carro que alugou, entre outros. A Corte de Cassação anulou o julgamento anterior porque um dos investigadores utilizou uma apresentação em PowerPoint durante seu depoimento, que não havia sido previamente comunicada à defesa, e realizou novos atos de investigação.