'Tenho que trocar a minha pele', diz mulher trans marcada com símbolo nazista durante tortura em MS

Vítima teve o símbolo nazista marcado com faca quente, em Mato Grosso do Sul TV Morena "Eu vi a morte de perto, gritava socorro e ninguém me ouvia". Essa é a lembrança que ecoa na mente da mulher de trans, de 29 anos, torturada, ameaçada de morte e marcada na pele com uma suástica nazista no sábado (14), em Ponta Porã (MS). Ao g1, ela contou como foram os momentos de terror ao ser trancada pelos patrões e pelo namorado, após ser atraída para uma emboscada. Traumatizada, ela relata que vai precisar de cirurgia na cabeça e também deve remover a pele, para conseguir tirar a marca provocada com uma faca quente. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp "Eles deram vários socos na minha cara, cotovelada, joelhada, murro no meu estômago, me bateram com um taco de sinuca, me bateram com um cabo de vassoura, apoiaram uma faca no meu pescoço [...] eu vi tipo um anjo branco na minha frente e falei, é agora que eu vou morrer", descreve ela. A vítima contou que a todo momento pedia pela misericórdia de Jesus Cristo e falava que não havia feito nada. Até aquele fim de semana a relação com os patrões era boa, eles a tratavam muito bem. Ela ainda havia reatado há uma semana com o namorado, que ajudou no crime. "Nunca que passou na minha cabeça que eles iam ter essa capacidade de fazer isso comigo. Eu fui como uma funcionária normal receber meu pagamento [...] Quando eu entrei no escritório meu namorado estava com uma fita na mão, daquelas de luta e perguntou se eu queria morrer em pé ou deitada", relembra entre lagrimas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Apavorada, a vítima conta que conseguiu sair correndo, mas logo depois foi atingida com um golpe nas costas, seguidos de outros na cabeça e no resto do corpo. "Ali que começou tudo". Motivação e fuga A vítima relata que a todo momento perguntava o motivo de estarem fazendo isso, mas a resposta era apenas risadas. "Parece que estavam todos endemoniados. Ficavam dando risada", relembra. Após ser agredida, a mulher foi solta pelo próprio patrão, que mandou ela ir embora e não contar nada para ninguém, caso contrário a mataria. "Eu estava muito abalada, apavorada porque só Deus sabe o que eu passei naquele momento, ver a morte de perto e não poder fazer nada. Pedi ajuda na rodoviária, fui levada pro hospital regional de Ponta Porã e fiz exames", relatou. Com traumas na cabeça, no olho e no braço, a vítima deve passar por pelo menos três cirurgias. "Vou ter que fazer duas cirurgias na minha cabeça e trocar a minha pele, arrancar essa e colocar outra". "Nem tenho tatuagem no corpo e eu sou marcada, por uma maldade humana que fizeram comigo. Eu tô com muita dor, tá tudo pesado pra mim. Eu não consigo dormir direito, eu fico apavorada, tenho pesadelo", além da parte médica a vítima também vai seguir tratamento psicológico. Prisão Os presos são o namorado da vítima, de 22 anos, e um casal para quem ela trabalhava – um homem de 38 anos e uma mulher de 25. Eles foram levados para a delegacia na manhã de domingo (15). Durante a tarde, o caso passou por análise da Justiça, que decidiu converter o flagrante em preventiva. As investigações agora serão feitas pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM). Veja vídeos de Mato Grosso do Sul