Os participantes do Enem 2025 já têm acesso ao espelho da redação, liberado nesta terça-feira (17) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O material pode ser visualizado na Página do Participante, mediante login individual. Degatti: Hacker de Araraquara estreia nas ‘saidinhas’ e deixa Tremembé pela primeira vez desde que passou a cumprir pena Amazônia: Com emboscada e até tiros, avanço do crime organizado coloca agentes do Ibama em risco O espelho traz uma leitura minuciosa da correção feita pelos avaliadores, indicando a pontuação obtida em cada um dos cinco critérios usados no exame. A ideia é permitir que o estudante compreenda como seu texto foi analisado, identificando pontos fortes e aspectos que podem ser aprimorados. Apesar do detalhamento, o documento não abre margem para revisão ou recurso. Segundo o Inep, o conteúdo tem finalidade exclusivamente pedagógica e não altera a nota já divulgada anteriormente. Na edição de 2025, os candidatos tiveram de escrever sobre o tema “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, proposto no primeiro dia de provas. O formato seguiu o padrão tradicional do exame: um texto dissertativo-argumentativo, em que o participante deve apresentar uma tese, sustentá-la com argumentos e sugerir uma intervenção que respeite os direitos humanos. A avaliação considera cinco competências, que vão desde o domínio da norma padrão da língua portuguesa até a elaboração de uma proposta de solução para o problema abordado. Cada uma delas vale até 200 pontos, totalizando, no máximo, mil pontos na redação. As notas foram divulgadas em janeiro, e, desde então, muitos estudantes relataram nas redes sociais desempenho abaixo do esperado, especialmente em comparação com simulados e provas de anos anteriores. Na ocasião, o Inep afirmou que não houve mudanças nos critérios de correção. O instituto também apontou possíveis razões para a percepção de queda nas notas, como o uso excessivo de fórmulas prontas e citações genéricas — os chamados “repertórios de bolso”. Em orientações oficiais, o órgão reforçou a importância de textos mais autorais e alinhados ao tema proposto, desencorajando o uso de modelos decorados durante a preparação. Como funciona a TRI? Veja como calcular a nota do Enem 2025 As notas do exame são calculadas com base na Teoria de Resposta ao Item (TRI), que se propõe a avaliar o conhecimento real do estudante e reduzir a influência de chutes. O Enem é corrigido através da Teoria de Resposta do Item (TRI). Nessa metodologia, o modelo aplicado ao Enem considera três parâmetros para cada item. A partir daí, os itens são posicionados em uma escala de dificuldade, e a proficiência (a nota) do candidato é estimada a partir da combinação do nível de dificuldade das perguntas com a coerência das respostas dos estudantes. Quem erra as questões mais fáceis, mas acerta as difíceis podem acabar ficando com uma nota menor do que quem acertou as perguntas mais fáceis e errou as difíceis. Essa é uma forma de não premiar os chutes. Isso porque, se o candidato acertar as questões mais difíceis e errar as fáceis, o sistema poderá entender que ele deu sorte nas respostas. Ou seja, a nota do Enem não depende apenas da quantidade de questões que o aluno acertou, mas do nível de dificuldade delas e da coerência pedagógica do conjunto de respostas do candidato. Assim, um candidato pode ter mais acertos em uma prova e mesmo assim tirar uma nota menor do que seu colega que teve menos questões corretas. No Enem 2022, por exemplo, houve candidato que, com 33 acertos teve nota 907,5, superior a um candidato que, com 41 acertos, obteve nota 896,3. Além disso, dois inscritos com o mesmo número de questões certas podem tirar cerca de 300 pontos de diferença. Os dois casos são extremos e raros, mas acontecem.