Juros futuros caem após nova atuação do Tesouro para conter estresse nas taxas

Os juros futuros operam em queda ao longo de toda a curva na manhã desta terça-feira, após nova atuação do Tesouro Nacional no mercado de títulos. Em operação realizada hoje, o órgão recomprou 7,6 milhões de LTN, títulos prefixados que pagam o rendimento apenas no vencimento, e 5 milhões de NTN-F, que também têm taxa definida, mas distribuem juros ao longo do tempo. Mais cedo, o Tesouro informou que pretende recomprar até 20 milhões de papéis prefixados, em mais uma tentativa de conter o estresse nas taxas. Por volta das 12h13, as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DI), que refletem as expectativas do mercado para os juros, recuavam ao longo de toda a curva. Os contratos com vencimento em janeiro de 2027 caíam 0,36 ponto percentual, de 14,07% no fechamento de segunda-feira para 14,02%. Já os papéis para 2029 recuavam 0,41 ponto, de 13,55% para 13,48%, enquanto os de 2031 cediam 0,47 ponto, de 13,72% para 13,66%. A instituição já havia atuado na véspera. Em dois leilões extraordinários, recomprou R$ 27 bilhões em títulos, após a forte alta das taxas na sexta-feira. Considerando as operações dos dois dias, o volume chega a R$ 36,6 bilhões em intervenções fora do cronograma regular. Para Camilo Cavalcanti, da Oby Capital, o movimento ocorre em meio a distorções no mercado, influenciadas tanto por fatores técnicos quanto pelo cenário externo. “Havia muitas apostas na queda dos juros, o que deixou o mercado vulnerável. Com a alta recente das taxas, influenciada pela guerra, as expectativas mudaram, e investidores passaram a rever posições rapidamente, gerando distorções na curva”, disse à Bloomberg. Segundo o analista, ao recomprar títulos, o Tesouro ajuda a reduzir o risco no mercado e a aliviar a pressão sobre os juros futuros, especialmente em um cenário em que investidores estavam mais expostos às oscilações das taxas. (com Bloomberg News)