Caso Marielle: Rivaldo Barbosa já cumpre pena no Rio em presídio conhecido por ter presos 'midiáticos'

Condenado a 18 anos de prisão por obstrução à Justiça e corrupção passiva no caso Marielle Franco, Rivaldo Barbosa, que atuou como chefe da Polícia Civil em 2018, chegou ao Rio para cumprir pena em uma unidade do sistema penitenciário fluminense. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária informou que, por volta de 0h30 desta terça-feira (17/03), ele passou pelo portão do Complexo de Gericinó, em Bangu. Rivaldo está no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8), conhecido como presídio de celebridades ou de “presos midiáticos”. Condenado pela morte de Marielle, Domingos Brazão recebeu mais de R$ 3,5 milhões do TCE desde o crime Caso Marielle: condenados a 76 anos, irmãos Brazão podem deixar o regime fechado em cerca de três décadas Rivaldo estava na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, onde aguardava o julgamento do caso Marielle, ocorrido no fim do mês passado, assim como os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão. Além de Rivaldo, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os dois a 76 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial fechado, como mandantes dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio de Fernanda Chaves. A pena de ambos também inclui o crime de organização criminosa. Na decisão do STF, está prevista a perda dos cargos dos três, mas a Polícia Civil e o TCE-RJ ainda aguardavam o recebimento oficial da decisão. Antes do julgamento, Rivaldo era delegado da corporação, enquanto Domingos era conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Chiquinho, por sua vez, teve o mandato de deputado federal cassado após ser preso. O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, também deferiu o pedido de transferência de Domingos para o Rio, mas a remoção ainda está em andamento. A expectativa é que, até o fim da semana, o político chegue à capital fluminense vindo da Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia. Ele ficará na mesma unidade onde Rivaldo cumpre pena: o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8). Eles dividirão espaço na unidade com o réu pelo homicídio do menino Henry Borel, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, cujo julgamento está previsto para a próxima segunda-feira (23/03). Domingos já havia ficado preso em uma unidade de Bangu quando foi detido, em 2017, na Operação Quinto do Ouro, desdobramento da Lava Jato no Rio. Seis anos depois, ele foi reconduzido ao cargo após obter decisões favoráveis no STF e no Tribunal de Justiça do Rio. Em março de 2024, Domingos voltou a ser preso, junto com o irmão, Chiquinho Brazão, e Rivaldo Barbosa, acusados pela Polícia Federal de mandar matar Marielle. Em 25 de fevereiro deste ano, a Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, os três. No caso de Rivaldo, porém, a Corte entendeu que ele não participou do planejamento do assassinato de Marielle, mas atuou para atrapalhar as investigações e recebeu vantagem por isso.