O mais recente boletim climático da Administração de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (Noaa, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira, traz uma previsão que ninguém queria. Não apenas confirma um El Niño para o segundo semestre deste ano, mas alerta para a transição rápida. A Noaa é a principal instituição a monitorar o fenômeno no mundo. O El Niño será no mínimo moderado, e o efeito dado como certo é o calor extremo em todo o Brasil. A seguir, o meteorologista Marcelo Seluchi, chefe de operações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, analisa o que se pode esperar. Investigação: queda de foguete comercial após lançamento em Alcântara aconteceu por erro em montagem Fernando de Noronha: médica morre uma semana após se afogar em PE Como está o clima agora? Ainda estamos sob influência da La Niña, mas se espera uma transição muito rápida para o El Niño. As probabilidades aumentaram muito em relação ao mês passado. Passaram de 60% para 80% as chances de El Niño a partir de agosto. Vai acontecer. Até junho podemos esperar um período neutro, sem La Niña (fria) ou El Niño (quente). E depois? A partir de julho já podemos ter El Niño. E, o que é péssimo, ele não parece ser dos mais fracos. E há risco de um super El Niño? Há quem sempre fale isso, claro. Mas é chute. Neste momento, a previsão é de que, de setembro em diante, poderemos ter um El Niño de moderado a forte. E o que isso significa? Calor. A segunda metade do ano vai ser de muito calor. E muito calor traz as outras coisas, como baixa umidade, incêndios. Não são boas notícias. E grandes extremos de chuva, a exemplo da tragédia do Rio Grande do Sul, em 2024? Em termos de chuva, é muito cedo para falar. Nos próximos meses, até junho, a previsão de chuva não é ruim. Pode chover acima da média na parte alta do Amazonas. No restante do país, não dá para dizer neste momento. Mas deve chover mais no Sul e menos no Norte, como em todo El Niño. Sudeste e Centro-Oeste são incertos. Isso não significa a repetição de eventos como o do Rio Grande do Sul. Sempre há risco, mas não motivo para pânico. Neste momento, preocupa mais o risco de incêndios no Norte na estação seca, no segundo semestre. Muito mais importantes do que a chuva, serão os extremos do calor. Estes são certos. E as especulações, sobretudo em redes sociais, sobre possíveis efeitos de uma bolha fria no Atlântico, na altura da Bacia do Rio da Prata, que traria mais chuva? Não fazem sentido. É uma bolha pequena e a chuva está muito mais associada ao impacto das alterações no Pacífico e na umidade que vem da Amazônia.