EUA aliviam sanções à Venezuela para liberar mais petróleo em meio à guerra com o Irã

O governo Trump pretende adotar novas medidas para flexibilizar as sanções ao setor de petróleo da Venezuela, em um esforço para aumentar a produção de petróleo bruto enquanto a guerra com o Irã impulsiona os preços. As ações, que podem ser anunciadas já nesta semana, incluem a emissão de mais licenças individuais permitindo que empresas estrangeiras operem na Venezuela sem violar as sanções dos EUA, segundo pessoas familiarizadas com o plano, que pediram anonimato por se tratar de informações não públicas. O governo também criará um mecanismo mais amplo para facilitar a entrada de um número maior de empresas no país, disseram as fontes. Ainda não está claro se essa medida virá na forma de uma licença geral. “A administração já emitiu muitas licenças gerais para acelerar o progresso nas indústrias de mineração e energia”, afirmou Taylor Rogers, porta-voz da Casa Branca, em nota. “Continuaremos a agir, quando necessário, para restaurar a paz e a prosperidade na Venezuela.” Entre as empresas que devem receber autorização do Departamento do Tesouro dos EUA para operar na Venezuela estão uma subsidiária da estatal indiana ONGC Videsh, a sueca Maha Capital AB e a J&F Investimentos, do grupo brasileiro JBS Foods, segundo algumas das fontes. O Departamento do Tesouro, a ONGC Videsh e a J&F não comentaram de imediato. A Maha preferiu não se manifestar. Até agora, o governo Trump concedeu apenas algumas licenças dentro de seu plano para que empresas privadas invistam cerca de US$ 100 bilhões na próxima década para reconstruir o setor petrolífero deteriorado do país. Entre elas estão Chevron, BP, Shell, Repsol, Eni e Maurel et Prom. Preços do petróleo já subiram mais de 40% A guerra no Irã, no entanto, está pressionando Washington a acelerar os esforços na Venezuela, que possui algumas das maiores reservas de petróleo do mundo. Os preços globais do petróleo subiram mais de 40% desde o início dos ataques dos EUA e de Israel, levando a gasolina ao nível mais alto desde 2023. Assim como outras empresas interessadas em retornar, a ONGC Videsh tem centenas de milhões de dólares a receber da estatal venezuelana PDVSA. Retomar operações no país pode permitir que a empresa negocie um acordo para recuperar esses valores. Em teleconferência de resultados em 13 de fevereiro, o diretor financeiro da ONGC Videsh, Vivek Tongaonkar, disse que a empresa aguarda orientações do governo dos EUA sobre a Venezuela, afirmando que “o movimento está na direção positiva”. Ainda não está claro se a flexibilização das sanções levará a um aumento de produção no curto prazo. Atualmente, a Venezuela produz cerca de 1 milhão de barris por dia, um terço do pico registrado nos anos 1990. A infraestrutura energética do país se deteriorou significativamente desde então, devido a má gestão, negligência, corrupção e sanções. Francisco Monaldi, diretor de política energética para a América Latina no Baker Institute da Universidade Rice, afirmou que a Venezuela não está em posição de elevar a produção rapidamente o suficiente para compensar a alta global dos preços. Ele estima um aumento de no máximo um terço, cerca de 300 mil barris por dia, em 2026, o que é pouco diante da demanda global. — É completamente marginal no curto prazo — disse Monaldi. Ainda assim, o governo Trump tem buscado colocar mais petróleo no mercado sempre que possível. No início deste mês, flexibilizou temporariamente algumas sanções ao petróleo russo, na tentativa de pressionar Vladimir Putin a encerrar a guerra na Ucrânia. Também reduziu, por ora, a pressão sobre a Índia para que deixe de comprar petróleo russo.