CPI do INSS marca depoimento de ex-noiva de Vorcaro após mensagens citarem autoridades e articulações no Congresso

A CPI do INSS marcou para a próxima segunda-feira o depoimento de Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, após a comissão ter recebido mensagens em que o dono do Banco Master relata articulações políticas, pressões no sistema financeiro e interlocução com autoridades. A convocação foi aprovada na condição de testemunha — o que, em tese, obriga o comparecimento. Nos bastidores, porém, integrantes da comissão já consideram provável uma tentativa da defesa no Supremo Tribunal Federal (STF) para tornar a oitiva facultativa, por meio de habeas corpus. Martha entrou no radar a partir de um conjunto de mensagens e anotações apreendidas pela Polícia Federal com Vorcaro. Parte do material reúne conversas diretas entre os dois. Em outra frente, há registros feitos pelo próprio banqueiro, em formato de notas, nos quais ele descreve bastidores de negociações, pressões e conflitos com agentes do mercado financeiro. Nas trocas com Martha, Vorcaro mistura relatos pessoais com bastidores de sua atuação. Em um dos trechos, afirma que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é “um dos meus grandes amigos de vida”. Em outro momento, comemora uma proposta apresentada pelo parlamentar no Congresso com impacto potencial sobre o sistema financeiro. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica mercado financeiro! Ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes! Está todo mundo louco”, escreveu. Em seguida, acrescenta: “Kkk todo mundo me ligando. Sentiram o golpe”. Além de Ciro, outros nomes aparecem citados no conjunto de mensagens analisado pela comissão, incluindo referências ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), além de menções a interlocuções com integrantes do Banco Central e do Supremo Tribunal Federal. Para integrantes da CPMI, o peso desse material está menos nas citações isoladas e mais no padrão revelado: Vorcaro descreve um ambiente em que transitava simultaneamente entre o mercado financeiro, o Congresso e órgãos de regulação enquanto tentava reorganizar ativos do banco. O depoimento de Martha é visto como uma tentativa de dar contexto a essas conversas. Deputados e senadores querem entender em que circunstâncias foram feitas, qual o grau de precisão dos relatos e até que ponto o banqueiro amplificava sua influência. Ela não é investigada. Ainda assim, parlamentares avaliam que ouvir quem estava no círculo mais próximo de Vorcaro pode ser decisivo para interpretar um dos eixos mais sensíveis da investigação, que hoje cruza dados financeiros com os bastidores narrados pelo próprio banqueiro.