Mayra da Silva Paula desapareceu em julho de 2009 em Goiânia Arquivo Pessoal/ Edlamar Rosário da Silva Oliveira A mãe de Mayra da Silva Paula, jovem que desapareceu em 3 de julho de 2009, em Goiânia, relembra a carta deixada pela filha antes do sumiço. Na mensagem, a estudante de enfermagem, então com 20 anos, contou que estava grávida e pediu perdão à mãe. Sem notícias da filha desde então, Edlamar Rosária da Silva Oliveira, de 60 anos, afirma que ainda tenta entender o que aconteceu. “Me perdoa por isso, mas foi minha única saída. Tentei resolver de outra forma, mas não consegui”, escreveu Mayra na carta, segundo relato da mãe à repórter Rafaella Barros. A universitária estudava enfermagem na Unip e morava em Goiânia havia cerca de três anos. Natural de Nova Glória, no centro-norte de Goiás, ela costumava voltar para a cidade da família em períodos de férias e feriados mais longos. Naquela sexta-feira, porém, não apareceu em casa como o combinado. Carta foi encontrada no apartamento Edlamar contou que passou o dia esperando a filha chegar e, como isso não aconteceu, começou a ligar para conhecidos e para pessoas próximas de Mayra em Goiânia. Dias depois, uma vizinha e proprietária do apartamento onde a jovem morava telefonou para dizer que havia recebido um torpedo enviado do celular da universitária, informando que a mãe encontraria uma carta no imóvel. Sem ter a chave do apartamento, a mulher chamou um chaveiro para abrir a porta. A carta foi encontrada sobre a mesa, embaixo do telefone fixo. No texto, Mayra disse que estava grávida de seis meses, afirmou que não teve coragem de contar a novidade à mãe e pediu para que ninguém fosse culpado pela decisão que havia tomado. A mãe diz que a carta passou por perícia e que a polícia concluiu que a letra era, de fato, da filha. O documento, no entanto, também levantou dúvidas. Isso porque a mensagem estava datada de 3 de junho de 2009, embora Mayra tenha desaparecido em 3 de julho. Para Edlamar, não se sabe se a filha escreveu a carta um mês antes ou se confundiu a data ao redigir o texto. Carta deixada por Mayra da Silva Paula foi encontrada no apartamento onde ela morava, em Goiânia, após o desaparecimento Arquivo Pessoal/Edlamar Rosário da Silva Oliveira LEIA TAMBÉM: Mãe que procura filha que desapareceu após descobrir gravidez em 2009 diz que não vive: 'Preciso achá-la viva ou morta' Família de jovem que desapareceu ao descobrir gravidez há 17 anos segue lutando por respostas Mãe pede ajuda para retomar investigação sobre filha grávida que sumiu há 12 anos em Goiânia Gravidez foi descoberta após o sumiço Segundo Edlamar, ela só soube da gravidez depois que Mayra desapareceu. A revelação foi feita pela vizinha que morava ao lado da filha, em Goiânia. De acordo com a mãe, a mulher contou que Mayra pretendia dar a notícia apenas na presença de Tiago Luis Tavares de Sousa, com quem mantinha um relacionamento de idas e vindas. Ainda conforme o relato da mãe, a vizinha disse ter visto o carro de Tiago parado em frente ao prédio na noite anterior ao desaparecimento. Mayra teria combinado com ele uma conversa sobre como contariam a gravidez à família. Edlamar afirmou ao g1 que, quando perguntou ao rapaz sobre o paradeiro da filha, ele inicialmente negou que os dois estivessem juntos. Depois, segundo ela, Tiago foi até sua casa e reconheceu que Mayra estava grávida dele. Em depoimento à Delegacia de Homicídios, ele confirmou que esteve com a jovem no apartamento no dia do desaparecimento e disse que acreditava que ela estivesse escondida em algum lugar, aguardando o nascimento do bebê. Procurado pelo g1, Tiago respondeu que não tem nada a declarar, pois o assunto “está a cargo das autoridades competentes”. Mãe diz que investigação teve lacunas A investigação sobre o desaparecimento passou por diferentes instâncias ao longo dos anos. O caso começou na Polícia Civil de Goiás, foi acompanhado pela Delegacia de Homicídios, passou pela Força Nacional e, depois, pela Polícia Federal, diante da suspeita de que Mayra pudesse ter deixado o país. Segundo a mãe e o advogado da família, Breyder Ferreira da Silva, o caso acabou arquivado tanto na esfera estadual quanto na federal por falta de provas. Edlamar, no entanto, diz que o inquérito ficou marcado por trocas de delegados e por diligências que, na avaliação dela, não foram aprofundadas. Em entrevista ao g1, a mãe afirmou que uma delegada da especializada em desaparecidos chegou a demonstrar interesse em retomar a análise do caso, mas que a família não conseguiu acesso aos documentos necessários para que a investigação fosse retomada na esfera estadual. Último desejo é ter uma resposta Hoje aposentada, Edlamar continua morando em Nova Glória, na mesma casa onde esperava a filha voltar em julho de 2009. Ela diz que a dor da falta de respostas continua a mesma desde o desaparecimento. “Eu preciso de uma solução, preciso achar ela viva ou morta, do jeito que for. Tem que ter um término”, disse a mãe ao g1 em entrevista publicada neste mês. Mayra da Silva Paula morava em Goiânia para estudar enfermagem quando desapareceu, em 2009 Arquivo Pessoal/Edlamar Rosário da Silva Oliveira Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás