O ex-presidente Michel Temer (MDB) declarou nesta terça-feira, 17, em entrevista ao canal de TV Bandnews, que se considera "popularíssimo" nos dias de hoje e que seu alto nível de rejeição ao assumir o cargo, após impeachment de Dilma Rousseff (PT), foi o que possibilitou a aprovação de reformas, como a revisão das leis trabalhistas. — Eu não tive preocupação eleitoreira, porque não estava no meu horizonte participar de uma reeleição. Mexer no direito do trabalho é um vespeiro, na Previdência Social, no Ensino Médio. Exata e precisamente em função da impopularidade que eu pude fazer isso. Fui um presidente muito impopular, mas em face daquela impopularidade eu fiz tudo isso que eu disse, e hoje sou um ex-presidente popularíssimo — disse. Em junho de 2018, antes das eleições presidenciais vencidas por Jair Bolsonaro, Temer amargou o pior índice de aprovação da história, com 82% dos entrevistados do Datafolha considerando o governo como ruim ou péssimo. Apenas 3% a consideravam ótima ou boa e 14% como regular. O candidato governista no pleito foi o economista Henrique Meirelles, que terminou em 7º lugar, com 1,2% dos votos válidos. Temer participou de um painel ao lado do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. A dupla defendeu alterações nas leis eleitorais, com a adoção do voto distrital misto, mais transparência e ajustes nas emendas parlamentares e o fim dos penduricalhos no Judiciário, que elevam os ganhos de juízes e promotores para acima do teto. Nesse ponto, foi indagado sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes, indicado por ele ao Supremo Tribunal Federal (STF). — Essa questão do inquérito (das fake news, relatado por Moraes) realmente exagerou no tempo, mas está sendo tão criticado que, eu creio, em brevíssimo tempo vai ser encerrado — afirmou Temer. — Muitas vezes se diz que há exageros nas decisões, e foi lembrado o caso do ministro Alexandre. Eu o nomeei e, confesso, não me arrependo. Digo a vocês: se não fosse ele, num passado recente, nós talvez não tivéssemos eleições no país. Ele teve uma coragem jurídica e pessoal extraordinária. Na opinião de Temer, "ninguém resiste a uma crítica permanente, dura e quase feroz". Kassab, por sua vez, afirmou que temos uma "democracia consolidada, mas doente" e fez coro à leitura de que existiriam "excessos" por parte do Supremo. — O Judiciário extrapola, em inúmeras oportunidades, com invasão de competência. Ele deve definitivamente abandonar isso para que a gente possa caminhar com mais serenidade e harmonia entre os poderes. O presidente do PSD declarou que a escolha do candidato a presidente pelo partido vai se resolver "em 10 dias", entre os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite; do Paraná, Ratinho Júnior; e de Goiás, Ronaldo Caiado. Kassab alega que existe "solo fértil" para crescimento nas pesquisas por conta da "rejeição brutal" do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). Temer se esquivou de declarar apoio a um deles, em meio a negociações do MDB com o petista: — Meu candidato é Gilberto Kassab.