Blake Fielder-Civil diz que não pode ser apontado como responsável pela morte de Amy Winehouse

Blake Fielder-Civil, ex-marido de Amy Winehouse, afirmou que não deve ser culpado pela morte da cantora e destacou que ela tinha liberdade para tomar suas próprias decisões. Casado com a artista entre 2007 e 2009, ele voltou a falar publicamente sobre o relacionamento em uma entrevista detalhada, na qual relembra momentos marcantes da vida dos dois. Durante os anos que antecederam a morte de Amy Winehouse, aos 27 anos, o agravamento do vício em álcool e drogas fez com que muitos responsabilizassem Fielder-Civil pela situação. Ele chegou a ser visto como o principal vilão da trajetória da cantora, especialmente por supostamente tê-la apresentado a substâncias como heroína e cocaína. Amy Winehouse e Blake Fielder-Civil. Divulgação Hoje com 43 anos, ele passou anos afastado da mídia após a morte da artista, em 2011. Agora, porém, decidiu comentar novamente o relacionamento que tiveram - que descreve como intenso, conturbado e também cheio de afeto - e explicar por que acredita não ser responsável pelo desfecho trágico. Revistas Newsletter “Minha posição agora é que sei que muitas pessoas, especialmente aquelas que liam as notícias há 20 anos, teriam a ideia de que a morte de Amy é minha responsabilidade. Como sempre disse, nunca me esquivo de nenhuma responsabilidade. Se fiz algo errado, assumo a responsabilidade”, disse ele no podcast We Need to Talk nesta terça-feira (17.03). Segundo Fielder-Civil, ele reconhece ter tido alguma participação indireta, mas considera injusto ser apontado como o único culpado. “A própria Amy tinha autonomia. E dizer isso não é de forma alguma desrespeitá-la, mas Amy fez o que quis fazer”, disse ele. “E mesmo que a bebida tivesse começado a prejudicá-la, ela continuou… Ela é realmente uma mulher muito forte.” Uma década depois, a afilhada de Amy Winehouse relembra sua amada mentora: " Quero que você viva da melhor maneira possível, que é através da sua música" Vogue Na conversa, ele relembrou o início do relacionamento, quando conheceu Winehouse em um pub de Londres, por volta de 2001, e se encantou ao considerá-la uma “mulher linda”. Na época, segundo ele, nenhum dos dois tinha forte envolvimento com drogas. O primeiro rompimento aconteceu quando o consumo de álcool por parte da cantora passou a ser excessivo. A relação intermitente acabou inspirando o álbum Back to Black, lançado em 2006, e no ano seguinte eles oficializaram a união em Miami. Amy Winehouse (Foto: Getty Images) Vogue “São memórias difíceis de revisitar. É difícil porque ela não está mais aqui. Ela era minha melhor amiga e éramos felizes. E as drogas acabaram sendo uma consequência disso”, disse ele. “[Mas] nosso amor não tinha nada a ver com o vício. E o vício não tinha nada a ver com o nosso amor. Foi para lá que as coisas foram. Não era quem éramos.” Fielder-Civil também afirmou que não era dependente químico quando conheceu a cantora e que ambos acabaram se envolvendo com drogas ao longo do relacionamento. Amy Winehouse (Foto: Divulgação) Vogue Ele destacou ainda que o período mais crítico do vício de Winehouse ocorreu enquanto ele estava preso após uma briga em um bar. Apesar disso, reconheceu que foi ele quem a apresentou à heroína, embora ela já tivesse tido contato com outras substâncias antes. “Eu nunca culpei a pessoa que me deu drogas pela primeira vez. Nunca tentei jogar a culpa em ninguém. Por que faria isso?”, disse ele. “Nunca entendi, será que essas pessoas pensam que eu forcei a Amy a usar drogas? Não foi isso que aconteceu… Não estou me esquivando da responsabilidade, mas essa ideia de facilitar o consumo diariamente, não. Eu não era o traficante. O casal se divorciou em 2009, mas manteve contato. Em 2011, Winehouse morreu em decorrência de intoxicação alcoólica - sem drogas no organismo - enquanto ele ainda estava preso. Segundo ele, os dois conversavam com frequência durante esse período, e ele demonstrava preocupação com o estado dela, especialmente após episódios preocupantes, como quando a cantora adormeceu na porta de casa. Ele afirmou ainda que não permitiria que ela passasse os dias apenas bebendo. No dia da morte, tentou entrar em contato com a casa da cantora duas vezes, sem sucesso, até ser informado pelas autoridades sobre o ocorrido. UNITED KINGDOM - FEBRUARY 14: BRIT AWARDS, EARLS COURT Photo of Amy WINEHOUSE (Photo by JMEnternational/Redferns) (Foto: Redferns) Vogue “Quando estive na prisão pela primeira vez, eu não sou uma pessoa religiosa, mas costumava rezar todas as noites. Eu dizia: 'Por favor, deixe Amy viva até eu sair'. Porque eu tinha um medo enorme, um medo absoluto de perder o controle, de que algo fosse acontecer com ela e eu estivesse lá dentro sem poder fazer nada, ajudar ou sequer estar presente”, ele relembrou. “Meu primeiro pensamento foi: 'Este é o meu pior pesadelo. Não é verdade'... Minha cabeça começou a girar imediatamente... e eu desabei em lágrimas.” Devido à pena que cumpria, ele não pôde comparecer ao funeral da cantora. Também afirmou que levou anos para lidar com a perda da “melhor amiga” e com as críticas públicas que o responsabilizavam pela morte dela, enquanto vivia o luto isolado na prisão e sob forte pressão da mídia. Amy Winehouse, anos 2000 (Foto: Hulton Archive, Pascal Le Segretain, Sean Gallup, Slaven Vlasic/Getty Images) Vogue “Eu nunca, jamais, estou aqui para dizer: 'Amy era má'. Mas sei que Amy não gostaria que eu estivesse aqui 20 anos depois dizendo que a culpa foi toda minha”, disse ele. “Ela diria: 'Conte a verdade, querido. Vamos lá. Diga a eles'. Éramos apenas jovens viciados na época. Não éramos no começo, mas depois nos tornamos, e isso poderia acontecer com qualquer um.” Atualmente, Fielder-Civil afirma estar sóbrio, longe das drogas e vivendo um relacionamento estável - algo que, segundo ele, deixaria Amy Winehouse muito feliz. Amy Winehouse (Foto: Divulgação) Vogue Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!