Mauro Vieira faz 'maratona' entre Senado e Câmara para explicar posição do Brasil sobre a escalada dos conflitos no Oriente Médio

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fará nesta quarta-feira uma maratona no Congresso em meio à pressão de parlamentares da oposição por explicações sobre a condução da política externa brasileira diante da escalada de tensão no Oriente Médio. Ele fala às 10h na Comissão de Relações Exteriores do Senado e, uma hora depois, às 11h, é esperado na comissão equivalente da Câmara, onde foi formalmente convocado por opositores do governo. No Senado, Vieira participa de audiência como convidado, em sessão interativa convocada pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores. O pedido foi apresentado após a escalada recente do conflito no Oriente Médio e cita preocupações com possíveis impactos econômicos e geopolíticos para o Brasil, incluindo efeitos sobre mercados de energia, fluxos comerciais e cadeias produtivas globais. O requerimento também cobra do Itamaraty explicações sobre as medidas adotadas para assistência a brasileiros na região, em meio ao agravamento da crise. A avaliação dentro da comissão é que o cenário exige atualização constante do Congresso sobre a atuação diplomática e consular do governo, o que levou ao convite para que o chanceler detalhe as ações em curso. Já na Câmara, a oitiva foi aprovada a partir de requerimentos de deputados como Rodrigo Valadares (União-SE), Gustavo Gayer (PL-GO) e Helio Lopes (PL-RJ), que querem que o ministro detalhe a posição do governo brasileiro diante de episódios recentes envolvendo o Irã e seus desdobramentos na região. Os parlamentares também devem pressionar Vieira sobre três frentes que passaram a ser exploradas pela oposição: a reação do Itamaraty a ações militares atribuídas ao Irã; a divulgação, nos Estados Unidos, de um documento que menciona supostas estruturas chinesas no Brasil voltadas a lançamentos espaciais; e reportagens sobre comunicações diplomáticas atribuídas à embaixada brasileira em Burkina Faso envolvendo referências ao regime iraniano e a Israel. A ida do chanceler às duas Casas ocorre em um momento de maior tensão entre Congresso e governo na área internacional. Entre parlamentares, há desconforto com o que classificam como falta de clareza do Itamaraty em temas sensíveis, especialmente na relação com países do Oriente Médio. Integrantes do governo, por sua vez, afirmam que Vieira deve reforçar a linha de atuação baseada na defesa do direito internacional e na busca por uma posição de equilíbrio do Brasil no cenário externo.