Em crise após a eliminação na pré-Libertadores e a doída derrota (3 a 0) no clássico para o Flamengo, ambas no Nilton Santos, o Botafogo agora volta a campo fora de casa. Hoje, às 19h, o time terá a difícil missão de enfrentar o vice-líder Palmeiras no Allianz Parque — suspensos, Barboza e o técnico Martín Anselmi serão desfalques. Além da complexidade normal pelo alto nível do adversário, forte candidato a conquistar os principais títulos do calendário da América do Sul, a partida de logo mais tem como plano de fundo no Botafogo a guerra fria protagonizada por John Textor e a ala associativa, na figura de João Paulo Magalhães Lins. A dupla tem entrado num embate indireto de narrativas que afetam diretamente o futuro da SAF e, consequentemente, da equipe treinada. De um lado, Textor emplaca a versão de que a ala social, na figura do presidente João Paulo Magalhães Lins, tem barrado a entrada de recursos, através de um novo empréstimo, para arcar com as obrigações financeiras do Botafogo, o que inviabilizaria o andamento da operação financeira da SAF. Do outro, o associativo de fato se recusa a assinar o contrato pela crença de que o negócio deixaria o clube numa situação ainda pior financeiramente num futuro próximo e pela incerteza jurídica em relação ao desejo do empresário americano de repassar uma parte de suas ações como “moeda de troca” para os possíveis investidores. Sem dinheiro em caixa Em paralelo, há, por parte do clube social, a certeza de que Textor não é mais capaz de, sozinho, administrar a SAF alvinegra. Mais do que os últimos resultados ruins, há uma insegurança maior pelo aspecto financeiro. Pouco mais de um mês depois de receber um primeiro empréstimo de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 129 milhões), o Botafogo se encontra sem dinheiro em caixa. Parte dessa quantia foi utilizada para pagar US$ 10 milhões ao Atlanta United referente a primeira parcela da dívida de US$ 30 milhões da compra de Thiago Almada que fez o clube ficar mais de um mês punido com um transfer ban — acontece que, sem dinheiro para pagar a segunda parcela, de US$ 5 milhões, é latente o medo de um novo transfer ban. A outra parte foi destinada para despesas urgentes do dia a dia e ao RWDM Brussels, da Bélgica, clube que também pertence a rede multiclubes do americano. A informação foi dada inicialmente pelo Lance. Além disso, a ala social do Botafogo acredita que John Textor será retirado do comando da SAF em breve por decisão da arbitragem da FGV que decidirá o rumo da disputa judicial entre as partes e a Eagle Football Holdings. Com a crise entre os principais dirigentes e o risco de um novo transfer ban, o departamento de futebol, a comissão técnica e os principais líderes do elenco tentam blindar o time de todas as polêmicas externas e se concentrar no campo e bola.