No Brás, maior polo de comércio popular de São Paulo, um projeto tenta enfrentar um dos problemas mais persistentes das grandes cidades brasileiras: a informalidade no varejo de rua. O Circuito de Compras, complexo com 5.430 boxes e lojas, nasceu da concessão pública da antiga Feira da Madrugada com a proposta de organizar o comércio popular, retirar camelôs das ruas e incentivar a formalização desses vendedores. Aquisição: Grupo 3corações compra operações da General Mills no Brasil, incluindo Kitano e Yoki Zero, sem álcool e sem glúten: Brasileiro bebe menos cerveja, e indústria cria novos sabores O empreendimento movimenta cerca de 42 mil empregos diretos e indiretos com aproximadamente 61% dos espaços ocupados. A meta é atingir a lotação total em até seis anos. Segundo André Seibel, CEO do Shopping Circuito de Compras (CDC), o projeto foi concebido para organizar quem já vendia nas ruas do bairro, mas fortalecer toda uma cadeia de abastecimento, que inclui comerciantes de outros estados que viajam para São Paulo em busca de preços mais baratos. Apesar do esforço de formalização, os comerciantes que deram esse passo ainda são minoria: representam apenas cerca de 30% dos lojistas, em sua maioria como MEIs. — A gente traz esse comerciante da rua, onde ele toma chuva e corre de polícia, para trazer para o ambiente formal. Tentamos mostrar que a vida formal não é tão ruim e que ela precisa disso para crescer — comenta Seibel. Não é só cinema: 'Guerreiras do K-pop' no Oscar é parte da nova onda coreana na economia O modelo do circuito também foi desenhado para acomodar diferentes estágios de maturidade dos negócios. Dos mais de 5.400 espaços, cerca de 4.000 são boxes menores, de cinco metros quadrados, que funcionam como uma espécie de “incubadora” de microempreendedores. Já as 1.430 lojas, com áreas entre 10 e 20 metros quadrados, são voltadas a comerciantes mais estruturados, com maior volume de vendas e estoque. — Recebemos as pessoas sem nenhuma esteira de crédito. É possível alugar como pessoa física e fazemos um movimento de tentar formalizar esses lojistas. Essa é a vocação do circuito de compras: organizar e aumentar o empreendedorismo de forma abrangente, não só de São Paulo, mas de todas as pessoas que se abastecem lá. Os aluguéis começam em R$ 100 por metro quadrado, com média em torno de R$ 220. O mix é concentrado: 72% das lojas são de vestuário e confecções, enquanto 15% vendem eletrônicos. Renner recolhe camisetas com a frase 'regret nothing', usada por acusado de estupro O restante é pulverizado entre diferentes segmentos. O fluxo diário gira em torno de 17 mil visitantes, podendo chegar a quase 60 mil em datas como Natal e Dia das Mães. Investimento de R$ 1,2 bi O Circuito de Compras teve início na região da 25 de Março e, posteriormente, migrou para o Brás. No começo, funcionava nas ruas. Em 2006, foi transferido para um antigo estacionamento de ônibus, onde permaneceu até 2018, quando passou a ocupar o atual espaço — o chamado “Amarelão” — após uma ampla reestruturação. Em 2018, tiveram início as obras do shopping, com a demolição das estruturas existentes e a retirada de entulho. À época, mais de 3 mil comerciantes ocupavam o Amarelão. A concessão da prefeitura tem prazo de 35 anos e prevê investimentos de R$ 1,5 bilhão, dos quais cerca de R$ 1,1 bilhão já foram realizados. Vonný, rede de beleza da Zona Leste, vai ocupar ponto icônico da Marisa na Avenida Paulista O novo complexo conta com infraestrutura de 315 vagas para ônibus, 2.400 para carros, além de acessibilidade, climatização, Wi-Fi, elevadores, banheiros e praça de alimentação. É um espaço coberto, com vários pavimentos e estrutura semelhante à de um shopping tradicional. Atualmente, a ocupação cresce entre 8% e 10% ao ano, mas a rotatividade mensal gira em torno de 2%, refletindo a dificuldade de parte dos microempreendedores em se manter no negócio. A inadimplência também é relevante, na casa de 15% ao mês. — Entendemos esse movimento como natural, porque estamos tratando de microempreendedores. Muitos acabam não se sentindo preparados ou não atingindo as metas às quais desenharam, o que é normal no empreendedorismo, especialmente nesse nível de microempreendedorismo urbano — diz o executivo. Para ele, os números precisam ser analisados à luz do propósito do projeto: — Todas as métricas financeiras são importantes, mas não podemos nos esquecer do viés social. Muito mais do que analisar o número, como um shopping puramente comercial, precisamos entender por que o comerciante teria interesse no empreendimento. Eu procuro sempre trazer isso para os acionistas: a gente precisa entender o DNA desse empreendimento. Treino, ‘networking’ e Mounjaro: conheça a academia de luxo de R$ 4,5 mil que virou ponto de encontro da elite paulistana O acesso simples é fundamental nessa meta de tirar os camelôs das ruas. Para ingressar no shopping, não há análise de crédito: basta apresentar RG ou CPF e comprovante de residência. Ainda assim, a gestão mantém políticas de compliance e procedimentos de “know your client” para monitorar as atividades dos lojistas. Segundo Seibel, a empresa negocia com a prefeitura a construção de um novo andar, com a inclusão de novas atividades numa tentativa de aumentar ainda mais o fluxo de visitantes.