Apenas no primeiro semestre de 2025, as despesas chegaram a R$ 2,8 bilhões, sendo R$ 1,69 bilhão destinado às varas cíveis e aos juizados. Arquivo/TJAM O Amazonas registrou aumento no número de ações judiciais em 2025, na contramão da tendência nacional. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) obtidos pelo g1 mostram que o estado teve 454 mil novos processos, com crescimento de 10% em relação ao ano anterior, enquanto no país houve uma queda de 2%. O cenário também é marcado pela concentração de ações em poucos advogados e pelo alto volume de processos contra bancos. Do total de novas ações registradas no estado, 75% são da área cível, o equivalente a mais de 339 mil processos. O volume ajuda a explicar os gastos do Judiciário amazonense: apenas no primeiro semestre de 2025, as despesas chegaram a R$ 2,8 bilhões, sendo R$ 1,69 bilhão destinado às varas cíveis e aos juizados. Outro dado que chama atenção é o perfil das ações. Mais de 40% dos processos cíveis foram movidos contra bancos, financeiras e seguradoras — um índice acima do observado em outras regiões do país. Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Além disso, há forte concentração entre os responsáveis pelas ações. Apenas 20 advogados concentraram 13,6% de todos os novos processos no estado em 2025. Já os 10 maiores responsáveis por processos foram responsáveis por 9,2% das ações. O nível de judicialização no Amazonas também é considerado elevado quando comparado ao restante do país. O estado registra cerca de 0,11 processo por habitante, enquanto a média nacional é de 0,07. A maior parte das ações cíveis (55%) foi ajuizada nos Juizados Especiais Cíveis, conhecidos pela tramitação mais rápida, enquanto 45% tramitaram nas varas comuns. Para especialistas, o conjunto desses fatores pode indicar a existência de litigância em massa, quando há grande volume de ações semelhantes, muitas vezes concentradas em poucos autores. “A extrema concentração de ações em um único setor e nas mãos de poucos profissionais acende um alerta para a prática de litigância em massa com possíveis características abusivas”, afirma o advogado Ivan Amaral. Segundo ele, esse tipo de prática pode comprometer a eficiência do sistema de Justiça e aumentar os custos para toda a sociedade. Reconhecendo a relevância do tema, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) publicou a Orientação Técnica nº 002/2025, que estabelece diretrizes para identificar e prevenir práticas como o fracionamento indevido de demandas e o ajuizamento em massa de ações padronizadas. A medida recomenda que magistrados adotem mecanismos de verificação de conexão processual, análise de similaridade entre demandas e avaliação da adequação das petições às particularidades de cada caso, com o objetivo de garantir maior eficiência e integridade ao sistema judicial. LEIA TAMBÉM: Duas universidades do Amazonas sofrem sanções do MEC após desempenho insatisfatório no Enamed Amazonas tem 11 prefeitos milionários e cinco que não declararam bens; confira o ranking Atendimento itinerante da justiça do Amazonas vem facilitando acesso a trabalhadores