A Polícia Civil prendeu, na manhã desta quarta-feira (18), o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, que foi indiciado por feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, que foi encontrada morta com um tiro na cabeça, no mês passado. 'Eu não tenho culpa se minha esposa gritava', diz tenente-coronel sobre relatos de brigas com PM encontrada morta Tenente-coronel especula que filha de 7 anos causou marcas no pescoço de mulher PM achada morta: 'Não tenho unhas' Agentes da corregedoria da PM chegaram ao apartamento do indiciado, que fica na rua Roma, no Jardim Paulista, na região central de São José dos Campos, no interior de SP, para fazer a prisão. O caso foi registrado inicialmente como suicídio, mas, diante de contradições, passou a ser tratado como morte suspeita. Familiares relataram à polícia que o relacionamento entre os dois era conturbado. Em depoimento, a mãe de Gisele afirmou que a filha era proibida pelo marido de usar batom, salto alto e perfume. Mensagens divulgadas pela defesa da família mostram que a soldado temia as crises de ciúmes do marido. “Qualquer hora ele me mata”, escreveu ela a uma amiga, segundo os advogados. Mensagens enviadas pela soldado Gisele Santana a uma amiga mostram que ela relatava ciúmes do marido Reprodução Neto foi afastado das funções no dia 3 de março, no contexto das investigações sobre a morte da esposa. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o pedido de afastamento partiu do próprio oficial. O órgão informou que as circunstâncias do caso são apuradas em procedimentos conduzidos pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar. A investigação está a cargo do 8º Distrito Policial, no Brás. A decisão de investigar a morte como suspeita ocorreu depois de um novo laudo necroscópico, realizado após a exumação do corpo, apontar lesões no rosto e no pescoço da vítima. Segundo peritos, há sinais de que ela desmaiou antes de ser baleada na cabeça e que não apresentou defesa. O tenente-coronel afirmou que, naquele dia, acordou por volta das 7h e foi até onde Gisele dormia. Segundo ele, os dois estavam passando as noites em quartos separados há cerca de oito meses. — Eu falei para ela: "Olha, depois daquela conversa que a gente teve ontem, eu acho melhor a gente se separar mesmo". Ela levantou um pouco exaltada, me empurrou para sair do quarto e bateu a porta com muita força — afirmou. Ele contou que então foi tomar banho e, quando estava dentro do banheiro, ouviu um disparo. Diz também que naquele momento saiu do banheiro e viu Gisele no chão com uma poça de sangue em volta da cabeça. — Botei uma bermuda, peguei o celular e saí do banheiro. A primeira coisa que eu fiz foi abrir a porta do apartamento. Quis deixar 100% aberta para dar toda a transparência e dali liguei primeiro para os bombeiros, depois para o Samu e depois para a polícia — disse. Uma vizinha do casal, no entanto, afirmou à polícia que acordou às 7h28 depois de ouvir um estampido único e forte vindo do apartamento. De acordo com o portal g1, a primeira ligação dele foi para a PM, registrada às 7h57. Minutos depois, às 8h05, ele ligou para o Corpo de Bombeiros. As equipes chegaram ao local às 8h13. Questionado sobre o depoimento da vizinha, ele afirmou que não são sabe "se ela estava sonolenta e viu o horário errado". — Você acredita no que ela fala ou no que eu estou falando? — perguntou o tenente-coronel durante entrevista ao apresentador Eleandro Passaia, do programa Balanço Geral, da TV Record. — Não tenho porque mentir. Não sei se ela estava sonolenta e viu o horario errado. Nao posso falar pelas outras pessoas. Posso falar por mim. Suspeitas Os socorristas conseguiram reanimar a policial no local. Enquanto tentavam salvá-la, relataram que o marido permaneceu ao telefone com superiores e não demonstrava desespero. Um dos socorristas relatou em depoimento ter estranhado a cena e decidiu fotografá-la. Segundo ele, a arma estava encaixada na mão de Gisele de uma forma incomum para casos de suicídio. Outros elementos também chamaram a atenção. O sangue já estaria coagulado e o cartucho da bala não foi encontrado. Embora o tenente-coronel tenha afirmado que estava no banho no momento do disparo, ele estaria seco e não havia água no chão do apartamento. Às 8h55, Gisele foi retirada do prédio ainda com vida, em uma maca. O tenente-coronel aparece sentado no corredor. Testemunhas relataram que, nesse intervalo, ele teria tomado banho, mesmo após orientação de policiais para que não o fizesse. Policiais militares que participaram da ocorrência também afirmaram que o oficial voltou com forte cheiro de produto químico. Durante a entrevista à TV Record, ele alegou que a morte da mulher havia feito a pressão dele chegar a 18 por 20 e que, durante a ocorrência, "alguém" sugeriu que ele tomasse um banho quente. Limpeza do apartamento De acordo com testemunhas, três policiais militares foram ao imóvel horas após a ocorrência para limpar o local — o que pode ter comprometido a preservação da cena. Conforme apurou o G1, as agentes chegaram ao prédio às 17h48 do dia 18 de fevereiro, mesmo dia em que Gisele foi baleada, e entraram no apartamento acompanhadas por uma funcionária do edifício. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto alegou que o apartamento já estava liberado pela perícia e que a limpeza foi ordenada pelo "comandandate" dele na PM para preservar a família de Gisele, que buscaria pertences dela no imóvel. — O meu comandante, para preservar a família da Gisele que ia lá retirar roupas dela, pensando no bem estar dos pais dela, cordialmente, pediu para que fossem lá fazer a limpeza — alegou o tenente-coronel.