Psol aciona MPF e pede investigação no ITA sobre jogo inspirado em Jeffrey Epstein

O Psol informou nesta terça-feira que acionou o Ministério Público Federal (MPF) para pedir a instauração de inquérito com intuito de investigar a conduta de alunos do curso de Engenharia de Computação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). A iniciativa do partido foi tomada após estudantes terem apresentado, em sala de aula, um projeto baseado em Jeffrey Epstein. No jogo, uma adolescente de 15 anos é sequestrada por seis homens e precisa tentar fugir de uma ilha mantida pelo criminoso sexual. O requerimento foi protocolado pela bancada feminina do partido e também pelo deputado estadual Guilherme Cortez (SP). Os parlamentares pleiteiam que o ITA passe a aderir a um pacto nacional de enfrentamento à violência de gênero, e um ofício foi enviado ao ministro da Defesa, José Múcio, para que seja realizado procedimento administrativo na instituição. "Os games não podem ser espaço livre para a misoginia", escreveu Cortez, na rede social X. Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), a concepção de um jogo interativo tem o objetivo de fazer com que os estudantes desenvolvam habilidades de programação e estruturação de código. A aula em questão era para apresentar projetos que seriam trabalhados ao longo do bimestre, mas a proposta baseada no caso Epstein "foi imediatamente descartada por ter sido identificada como assunto inapropriado", informou ao g1. 'Banaliza pedofilia e abuso' A iniciativa foi repudiada no grupo de alunos da turma, com questionamentos sobre "brincar com pedofilia e abuso". Em nota, o Centro Acadêmico Santos Dumont, órgão oficial de representação dos alunos de graduação do ITA, afirmou que o ato banaliza temas como estupro e feminicídio e "não condiz" com os valores da instituição militar. "A liberdade acadêmica não serve de vilipêndio de vítimas de crimes hediondos. Entendemos que este episódio fere gravemente o prestígio da nossa instituição e, por isso, defendemos que as medidas disciplinares, criminais e sociais cabíveis sejam aplicadas", afirmou o grupo. Initial plugin text Já a Associação dos Engenheiros do ITA, também por meio de nota pública, afirmou ser "inaceitável tratar com banalidade a violência sexual em um ambiente acadêmico de excelência". A apresentação dos alunos, de acordo com a organização, "contribui para a normalização de abusos contra meninas e afronta princípios éticos fundamentais e os direitos humanos". "Reforçamos a importância de que o ITA implemente ou fortaleça protocolos claros de prevenção e resposta a casos de assédio, discriminação e violência de gênero, com canais de denúncia seguros e protegidos", diz o comunicado. Initial plugin text Ilha de Epstein Falecido em agosto de 2019, Epstein foi preso dois meses antes acusado de tráfico sexual de menores de idade. A maior parte dos crimes ocorreram em sua ilha privada chamada Little St. James, de 283 mil metros quadrados, localizada nas Ilhas Virgens Americanas (Caribe), para onde levava as vítimas. Nas Ilhas Virgens, Epstein foi registrado como agressor sexual em 2010, após sua primeira condenação por prostituição infantil em 2008. No início deste ano, cerca de 3,5 milhões de documentos, e-mails, fotos e vídeos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, com citações a membros da realeza europeia, diplomatas e ex-chefes de governo. Um dos mais citados é o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além também haver menções ao ex-príncipe Andrew, do Reino Unido, Elon Musk, Bill Gates e o atual secretário de Comércio americano, Howard Lutnick. O Congresso determinou a divulgação em novembro do ano passado, e o presidente Donald Trump, sob pressão inclusive de aliados, sancionou a lei, apesar de inicialmente se opor a ela — buscando pôr fim às especulações em torno do caso. O Procurador-geral adjunto dos EUA, Todd Blanche, afirmou que a Casa Branca "não teve nada a ver " com a análise dos arquivos.