Juros futuros sobem e Tesouro anuncia nova intervenção no mercado

Os juros futuros abriram a quarta-feira em alta ao longo de toda a curva de juros negociada no mercado, e o Tesouro Nacional anunciou, pelo terceiro dia seguido, novas recompras de títulos, intervindo no mercado. É a maior atuação do gestor da dívida pública em termos nominais na história. Manoel Ventura: Como o governo planeja agir para conter a insatisfação dos caminhoneiros com o preço do diesel Imposto de Renda 2026: aposentados e pensionistas têm direito a dupla isenção Nesta quarta-feira, o Tesouro anunciou a recompra de até vinte milhões de títulos prefixados (LTN). O resultado deve ser divulgado ao longo do dia. Até ontem, o Tesouro já havia recomprado R$ 41,9 bilhões em títulos, de acordo com cálculos da Terra Investimentos com dados do Tesouro Nacional, a fim de evitar disfuncionalidades no mercado. Como funciona As recompras de títulos pelo Tesouro acontecem para dar liquidez ao mercado em momentos de estresse. Isso ajuda a conter a disparada dos juros negociados no mercado, a fim de sustentar preços e conter desordens nas estimativas de juros futuras. A alta dos juros dos títulos também implica em queda nos preços deles. Este movimento pode causar prejuízos a bancos e fundos que detém estes títulos. Taxa de juros: Banco Central decide hoje nova taxa Selic em meio a cautela devido à guerra Para Francisco Segundo, estrategista de renda fixa da Terra Investimentos, a principal causa da intervenção são as revisões do mercado no ciclo de corte de juros brasileiro diante da guerra no Irã. A incerteza causada pelo conflito no Oriente Médio pode pressionar preços e impactar a inflação, que exige juros mais altos para ser combatida. — Com a Guerra e pressões múltiplas inflacionárias (como aumento dos combustíveis), se colocou uma dúvida na cabeça de todos sobre o timing do ciclo, se começaria agora, e o tamanho do ciclo — ele diz. As apostas realizadas pelo mercado, então, começaram a ser corrigidas, realizando o movimento chamado de “stop”, elevando os juros na curva. Como houve uma corrida forte para desfazer essas posições, principalmente na última sexta-feira, o Tesouro decidiu por “recolher o risco do mercado” com os movimentos, ele diz. Crise após Master: BRB negocia com Banco Central novo prazo para realização de aporte de capital — O Tesouro faz isso por avaliar que a situação nos juros perde a racionalidade. O gestor da dívida pública precisa de um mercado funcional, tanto no primário (emissões diretas do Tesouro com os bancos compradores) quando no secundário (negociações livres no mercado após as emissões) para realizar a chamada rolagem da dívida pública de forma estável, isto é, para continuar se financiando a fim de quitar as obrigações da gestão. Initial plugin text