Pai é preso após agredir filho de 12 anos com cinto no AC: 'Tentou abafar os gritos com a mão'

Vítima relatou a polícia que em outras agressões, o pai já usou galho de azeitona e um remo de pesca Arquivo pessoal Um homem de 33 anos foi preso suspeito de agredir o próprio filho, de 12 anos, com um cinto, nessa segunda-feira (16), no bairro Remanso, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Segundo informações da Polícia Militar (PM-AC), o adolescente havia passado o fim de semana na casa de um familiar e demorou para voltar para casa. O homem foi buscar o adolescente e teria prometido aos familiares que não o agrediria. No entanto, ao chegar em casa, pediu que o menino tomasse banho e, em seguida, passou a batê-lo com um cinto. Após o caso, a vítima ficou sob os cuidados de familiares. (Veja o relato completo mais abaixo) Participe do canal do g1 AC no WhatsApp De acordo com o boletim de ocorrência, o pai do garoto afirmou que estava apenas "educando" o adolescente. O caso foi denunciado à PM e ao Conselho Tutelar e registrado como maus-tratos, com agravante por a vítima ser menor de idade. Segundo a conselheira Erivalda Menezes, o adolescente foi encontrado com vários ferimentos, e, após o resgate, foram tomadas as medidas cabíveis. O g1 entrou em contato com a Polícia Civil após a audiência de custódia e aguarda retorno. "Informamos ao Ministério Público sobre o caso e fizemos demais encaminhamentos onde sugerimos que ele permaneça com os familiares, pois lá, terá todos os direitos assegurados", concluiu. Violência e abuso sexual infantil: veja os sinais e saiba como proteger as crianças Passou dos limites Um familiar da vítima, que preferiu não ser identificado, contou ao g1 que o suspeito teria tapado a boca do garoto durante as agressões para evitar que os vizinhos ouvissem os gritos. "Antes de ir pegar o filho, o pai dele chegou a enviar vários áudios para o menino ameaçando bater nele, dizendo que iria usar um remo de pesca. Ao chegar em casa, esperou ele sair do banho, bateu com agressividade e ainda tentou abafar os gritos com a mão", disse. Segundo o familiar, o garoto demorou a voltar para casa por medo de ser agredido. Apesar das cobranças do pai, ele decidiu permanecer na casa do parente. "Ele sempre me falava que, quando o pai batia, passava dos limites", destacou. Irmã do adolescente também já sofreu agressões praticadas pelo pai Arquivo pessoal 'Pensava em tirar a própria vida' Ainda segundo o familiar, as agressões não eram isoladas e também atingiam a irmã do adolescente, de 11 anos. Ele afirmou que o menino chegou a apresentar sofrimento emocional. "Ele sempre bate assim, por motivos banais. Já chegou a bater com galho de azeitona e cipó, além de utilizar um remo quando estava com mais raiva. Foram várias agressões. Uma vez o garoto me disse que preferia morar em um abrigo e que pensava em tirar a própria vida porque não aguentava mais sofrer", contou. O homem é separado da mãe das crianças. Segundo o familiar, a madrasta não teria boa relação com os enteados. "Sempre aconselhamos que não queríamos nos meter na criação dos meninos, mas eles fugiam para a nossa casa após as agressões, pois já tinham desenvolvido trauma psicológico", afirmou. A Constituição Federal estabelece que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente direitos fundamentais, além de colocá-los a salvo de toda forma de exploração e violência. Veja como denunciar casos de maus-tratos e negligência a crianças e adolescentes: Polícia Militar - 190: quando a criança está correndo risco imediato; Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes; Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres; Qualquer delegacia de polícia; Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa; Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): recebe denúncias de violações de direitos da mulher no Acre. Telefone: (68) 99930-0420. Endereço: Travessa João XXIII, 1137, Village Wilde Maciel. Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer a notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia; WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656- 5008; Ministério Público; Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras). Reveja os telejornais do Acre