Irã lança bombas de fragmentação em direção a Tel Aviv O governo do Irã foi enfraquecido, mas parece estar intacto e Teerã continua capaz de atacar os interesses dos Estados Unidos e de seus aliados no Oriente Médio, disse nesta quarta-feira (18) a diretora de Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A declaração foi dada em seu discurso na abertura da audiência anual do Comitê de Inteligência do Senado sobre Ameaças Globais aos Estados Unidos, que deve se concentrar em debates sobre a guerra com o Irã , que já dura três semanas e divide opiniões entre os parlamentares. "O regime no Irã parece estar intacto, mas em grande parte enfraquecido pela Operação Epic Fury. Mesmo assim, o Irã e seus parceiros continuam capazes de atacar interesses dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio e continuam a fazê-lo. Se um regime hostil sobreviver, buscará iniciar um esforço de anos para reconstruir suas forças de mísseis e drones", disse ela. Tulsi Gabbard Michael Wyke/AP Chanceler iraniano diz que Irã possui estrutura estável O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta quarta-feira (18) que a morte Ali Larijani, líder efetivo do regime desde o início da guerra, não desestabilizará o sistema político de Teerã e que EUA e Israel não conseguirão esse objetivo com seus bombardeios. “Não sei por que os americanos e os israelenses ainda não entenderam este ponto: a República Islâmica do Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais estabelecidas. (...) A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”, disse Abbas Araqchi. A declaração ocorreu em entrevista para o jornal "Al Jazeera", conglomerado catari que cobre o Oriente Médio, após Larijani ter sido assassinado por um bombardeio israelense na noite de segunda-feira. A morte dele foi confirmada pelo regime do Irã apenas no final da tarde de terça-feira, no horário de Brasília. Segundo Araqchi, foi assim na morte do líder supremo Ali Khamenei e seguirá dessa maneira agora com Larijani. "Se o ministro das Relações Exteriores viesse a ser morto, inevitavelmente haveria outra pessoa para ocupar o cargo", acrescentou, em referência a ele mesmo. A fala remete a uma decisão de Khamenei antes do conflito, de nomear múltiplas camadas de sucessão para cargos-chave do regime. O chanceler iraniano também afirmou na entrevista que a doutrina nuclear iraniana não deve mudar de forma significativa —Teerã sempre negou ter a intenção de desenvolver armas atômicas e afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos. Na terça-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a dizer que "não podemos permitir que lunáticos tenham armas nucleares", em referência ao Irã. Ele lembrou que o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, ainda não se manifestou publicamente sua opinião sobre o tema de armas nucleares e disse que seu antecessor se opunha a elas. O chanceler iraniano também falou à "Al Jazeera" sobre o Estreito de Ormuz, vital rota do petróleo mundial que foi fechada pelo Irã no início da guerra. Ele disse acreditar que, após o fim do conflito, os países banhados pelo Golfo Pérsico —incluindo o Irã e nações árabes— deveriam elaborar um novo protocolo para o estreito para garantir uma passagem segura dos navios e sob condições alinhadas aos interesses dos países da região. Araqchi também disse que os efeitos globais da guerra, que entrou em seu 19º dia nesta quarta-feira, estão apenas começando. O Irã lançou mísseis de fragmentação contra Israel na madrugada desta quarta como retaliação pela morte de Larijani. Israel devolveu a agressão com mísseis contra o território iraniano. Já o Exército dos EUA afirmou ter bombardeado o sul do Irã com bombas de penetração. EUA só derrubará regime com invasão terrestre Veja a entrevista completa: Rumores da morte de Ali Darijan, do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã Eu também ouvi os rumores, mas ainda não tenho uma notícia precisa. Não entendo por que os americanos e os israelenses ainda não perceberam que a República Islâmica do Irã possui uma estrutura estável e enraizada, que abrange dimensões políticas, econômicas e sociais. A presença ou ausência de uma pessoa não afeta essa estrutura política. É claro que os indivíduos desempenham papéis, cada um com sua importância. Uns são melhores, outros mais fracos, outros menos influentes. Mas o ponto essencial é que a estrutura política no Irã é totalmente sólida. Já tivemos líderes de grande relevância que foram martirizados, mas o sistema continuou funcionando e um sucessor foi escolhido. Qualquer pessoa que seja martirizada, a situação permanece a mesma. Mesmo que o ministro das Relações Exteriores seja morto, sempre haverá alguém para substituí-lo. Medo de ser novo alvo Qualquer pessoa pode ser alvo. Nos últimos dias vimos que atacam em qualquer lugar sem hesitação. Até agora, 53 hospitais foram atingidos. Muitas escolas, incluindo a escola de Minab que ficou famosa, foram atacadas, resultando na morte de 168 alunos. Até bancos e inúmeros edifícios residenciais foram bombardeados. Figuras políticas, civis, estudantes e professores universitários — todos os tipos de pessoas foram alvo. É possível que ataquem até o ministro das Relações Exteriores. Mas eu, como os demais, permaneço firme, trabalhando pelos objetivos e interesses do país, sem medo de derramar sangue por nossa pátria. Ataques a países vizinhos Nós não ampliamos a guerra. A guerra já é ampla por si só. Avisamos nossos amigos na região sobre isso anteriormente, por uma razão muito simples: se os EUA nos atacarem, nossas forças armadas e mísseis não podem alcançar os EUA diretamente. Portanto, somos obrigados a atingir as bases militares americanas na região e seus equipamentos. Infelizmente, essas bases estão espalhadas por toda a região e localizadas em países amigos. Essa é a natureza da guerra. Quando os EUA nos atacam de milhares de milhas de distância, é natural que nossa resposta ocorra na região. Mortes de civis em ataques do Irã Em primeiro lugar, fico realmente surpreso que o mundo não fale sobre os ataques contra áreas residenciais no Irã, escolas e hospitais. Posso afirmar com segurança que não atacamos alvos civis em países vizinhos. Pode haver danos colaterais, mas esse não é nosso objetivo. Quando atacamos bases americanas, é natural que qualquer local com concentração de americanos ou instalações relacionadas seja atingido. Alguns desses locais podem estar próximos a áreas urbanas. Isso não é culpa nossa, mas dos EUA, que retiraram suas forças das bases militares e as transferiram para hotéis nas cidades. No geral, é o comportamento dos EUA que levou a região a essa situação. Reconheço que os países amigos e os povos da região estão incomodados. Por isso, o Sr. Pezeshkian pediu desculpas às populações locais, já que nossa resposta aos ataques americanos pode ter causado transtornos. Mas tudo isso é culpa dos EUA. Nós não iniciamos esta guerra; apenas nos defendemos.