Tenente-coronel acusado de matar soldado Gisele Santana faz exame e irá para presídio de policiais

O tenente coronel da PM de São Paulo Geraldo Leite Rosa Neto, preso nesta quarta-feira (18) sob a acusação de matar a esposa, a soldado Gisele Santana, há um mês, será transferido ainda hoje para o presídio Romão Gomes, na Zona Norte, voltado para policiais militares. Antes, ele passou pelo 8° DP, na Mooca (Zona Leste), local que registrou a ocorrência. Dali ele foi para o Hospital da Polícia Militar, próximo ao presídio, onde passou por exame de corpo de delito. A prisão ocorreu em São José dos Campos, no interior. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o pedido de detenção provisória foi requerido pela Corregedoria da Polícia Militar (PM) ao serem constatadas "inconsistências significativas" no testemunho do suspeito, além da conduta do tenente coronel após o disparo da arma, até a formalização da ocorrência, "o que compromete a credibilidade de sua versão". O crime ocorreu em 18 de fevereiro no apartamento do casal, no Brás, região central da capital. O caso foi registrado como suicídio, mas depois as investigações mudaram para morte suspeita. De acordo com o juiz Fabrício Alonso Paschoa, do Tribunal de Justiça Militar de São Paulo, as acusações de feminicídio e fraude processual, imputadas ao oficial, são baseadas em laudos (necroscópico e complementar) que apontam a movimentação do corpo de Gisele após a sua queda. Além disso, os investigadores apontaram, ainda segundo o juiz, que Geraldo Neto alterou a cena do crime com o propósito de induzir a investigação a erro. "O modus operandi atribuído ao investigado, como salientou o Parquet (Ministério Público), reforça tal conclusão, pois revela elevado grau de audácia e desenvoltura na prática das condutas investigadas, circunstância que irradia efeitos diretos sobre a avaliação de sua periculosidade concreta", afirma o magistrado, que também citou o termo "periculosidade" para se referir ao acusado.