Em meio à guerra no Irã, Fed, banco central dos EUA, mantém os juros entre 3,5% e 3,75%

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) manteve a taxa de juros da principal economia do mundo entre 3,5% e 3,75%. É a terceira manutenção consecutiva. No Brasil, decisão é mais tarde: BC define hoje nova Taxa Selic, em meio a cautela da guerra Dois meses depois de início de reembolsos: R$ 800 milhões em investimentos do Banco Master ainda aguardam resgate A decisão não foi unânime: Stephen Miran, indicado por Donald Trump ao cargo de diretor do Fed, foi o único dissidente entre os doze votantes que quis um corte na taxa básica americana. No comunicado, o Fed afirmou que "as implicações do desenrolar da situação no Oriente Médio são incertas", e que a incerteza sobre as perspectivas econômicas continua elevada. O movimento era amplamente esperado pelo mercado. Momentos antes da decisão, o mercado apostava em 98,9% de chances pela estagnação. A decisão acontece durante o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, no Oriente Médio, que já dura dezenove dias. O foco dos analistas segue sendo no comunicado e nas novas projeções dos diretores sobre o rumo dos juros até o fim do ano. Jerome Powell, presidente da autoridade monetária americana, fala logo depois da decisão. No mercado, as apostas estavam divididas entre mais duas reduções ou apenas mais uma, de acordo com a plataforma FedWatch, que monitora os contratos negociados no mercado americano. Para o banco americano Citi, a manutenção também já era esperada, mas os riscos pendem para um tom mais “dovish”, pró-afrouxamento. De acordo com relatório assinado por Andrew Hollenhorst, o conflito no Irã, que impõe risco de alta para a a inflação, deve fazer com que “os diretores provavelmente enxergarão a alta do petróleo como um choque temporário de oferta, que pode ser desconsiderado desde que não seja muito persistente”. R$ 46 bilhões: Tesouro volta a intervir no mercado nesta quarta-feira O foco deve seguir sobre o mercado de trabalho, que, na visão do banco americano, está com crescimento “próximo de zero”. A recente desaceleração dos gastos também aumentaram a preocupação com riscos de queda para o emprego. Diferentemente do BC brasileiro, o Fed possui o chamado duplo mandato: o nível das taxas deve mirar a inflação na meta, de 2%, e manter o mercado de trabalho com o menor nível de desemprego possível. Como o juro americano afeta o Brasil? A decisão sobre o juro americano tem impacto global. Isso porque o indicador calibra o valor do dólar, refletindo em moedas e investimentos em todo mundo. Quando a taxa está alta, parte volumosa do capital global vai para os Estados Unidos, já que o país é considerado um dos mais seguros do mundo para aplicações. Com menos dólares no mundo, seu preço aumenta. Quando há um ciclo de queda por lá, portanto, o capital global começa a sair dos Estados Unidos em busca de novas geografias em que as aplicações possam render mais. * Em atualização Initial plugin text