O governo avalia ir à Justiça para conter o aumento do preço do diesel e estuda novas medidas para arrefecer qualquer movimento de paralisação de caminhoneiros. A Advocacia-Geral da União avalia a possibilidade de mover ações civis públicas pedindo indenização por danos morais e materiais coletivos contra distribuidoras de combustíveis e grupos de redes de postos, com o argumento de que estão praticando preços abusivos ao transferir aumentos sem justificativa de mercado. A ordem, no entanto, é avaliar o cenário de todas as medidas já adotadas pelo governo federal até segunda-feira e então definir o próximo passo. Na semana passada, o governo zerou o PIS e a Cofins sobre o diesel e anunciou o pagamento de subvenção a produtores e importadores. Em outra frente, nesta quarta-feira, a gestão petista decidiu que passará a divulgar as empresas que mais desrespeitaram a tabela de frete mínimo, prevista em lei desde 2018 — criada para conter a greve dos caminhoneiros naquele momento. Além de editar normas para que empresas que não cumpram a tabela de maneira contumaz sejam impedidas de contratar fretes. O pacote de medidas tenta conter a alta dos combustíveis provocada pelo acirramento do conflito no Oriente Médio e evitar a paralisação de caminhoneiros no Brasil. O pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos ministros é de que o governo aperte o cerco na fiscalização. A leitura do Palácio do Planalto é de que as empresas estão usando o benefício do governo, de zerar o PIS e a Cofins sobre o diesel, para fazer caixa, e não estão repassando a diminuição do preço ao consumidor. Tabela do frete Outra medida à mesa, é a edição de um ato normativo para dar mais poder de atuação a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para aplicação de multa e sanção de empresas que desobedecerem a tabela de frete mínimo. Argumento no Planalto é de que algumas sanções da ANTT são facilmente revertidas por via judicial, por isso, a alternativa de expandir o poder de punição da agência para este caso específico poderia ser mais efetiva. Essa medida também será avaliada de acordo com o efeito das providências já adotadas pelo governo. Essa é mais uma tentativa de afagar caminhoneiros e desestimular qualquer movimento de paralisação. Em 2018, a greve da categoria gerou desabastecimento e afetou a economia como um todo. Em outra frente, a Secretaria-Geral da Presidência da Republica tem estreitado conversas com representantes dos caminhoneiros para aferir a temperatura de um eventual movimento de paralisação.