O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu nesta quarta-feira às declarações do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que o acusou de ter tentado articular um acordo para barrar a CPI do Banco Master em troca da derrubada do veto ao projeto da dosimetria aos envolvidos no 8 de Janeiro de 2023. Em resposta, o senador disse ter ficado “estarrecido” com as falas, negou qualquer tratativa sobre o tema e elevou o tom ao classificar as declarações como “mentiras”, chegando a falar em “mitomania”. — Eu fiquei estarrecido com as declarações do presidente do Partido Liberal, ao qual eu tenho grande respeito. Eu até hoje não me posicionei sobre o que ele disse. Estamos vivendo tantas agressões e mentiras que estou impossibilitado de responder ataques de pessoas que se acham no direito de inventar qualquer coisa. Isso é uma doença. Se chama mitomania quem mente reiteradamente. Como não sou médico, não quero fazer consulta pública a Valdemar — afirmou. Alcolumbre também negou ter tratado com o dirigente do PL sobre o veto ao projeto da dosimetria e afastou a existência de qualquer negociação vinculando o tema à CPI do Banco Master. — Eu nunca tratei com Valdemar sobre vetos da dosimetria — disse. O senador acrescentou ainda que não há, até o momento, previsão para a realização de sessão do Congresso Nacional, onde os vetos presidenciais poderiam ser analisados. A reação ocorre após declarações de Valdemar, dadas no início do mês em entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, e que voltaram a circular nos últimos dias. Na ocasião, o dirigente afirmou que a oposição teria sido procurada com uma proposta para derrubar o veto à dosimetria desde que fosse barrada a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master. — Eu tive uma proposta essa semana, mas eu não tenho como fazer. Eu falei com o Rogério Marinho: eles querem votar a dosimetria desde que não façam a CPI do Banco Master no Senado — disse Valdemar, acrescentando que Alcolumbre estaria entre os defensores da ideia. O dirigente do PL também afirmou que há resistência dentro do Congresso à instalação da comissão por receio do alcance das investigações. — Lógico que não [querem a CPI]. Por quê? Porque atinge. Atinge meio mundo — declarou, ao defender a abertura do colegiado. A eventual criação de uma CPI sobre o Banco Master se tornou um novo ponto de tensão no Congresso, em meio ao avanço das apurações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e suas conexões políticas e financeiras. Cinco pedidos de investigação foram apresentados tanto por parlamentares da oposição quanto por integrantes da base governista, em formatos distintos, incluindo propostas de comissões no Senado e de colegiados mistos. Apesar da pressão, não há, até o momento, sinalização das cúpulas da Câmara e do Senado para a instalação da CPI. Já o projeto da dosimetria do 8 de Janeiro, vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segue como outro eixo de disputa política. A proposta alterava critérios para definição das penas dos condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes e é defendida por parlamentares da oposição como forma de reduzir punições consideradas excessivas.