A Justiça criminal de São Paulo aceitou o pedido do Ministério Público e tornou réu o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto. Ele é acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Santana, há um mês. Nesta quarta-feira (18), ele já havia sido preso, pelo mesmo caso, por determinação da Justiça Militar. Agora, ele vai responder por feminicídio e fraude processual. Em nota, o Tribunal de Justiça confirmou a denúncia. "A 5ª Vara do Júri da Capital aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público contra Geraldo Leite Rosa Neto e decretou a prisão preventiva do réu. O processo permanece sob segredo de justiça para preservar a memória da vítima", diz a assessoria do TJ. Além de pedir que a Justiça aceitasse a denúncia contra o acusado, o MP solicitou que, em caso de condenação do réu, o pagamento mínimo de indenização aos familiares de Gisele seja de no mínimo R$ 100 mil. Para que a demanda fosse aceita pelo Judiciário, os promotores utilizaram uma série de laudos que mostram a forma como o crime foi cometido, assim como as tentativas de esconder os fatos reais, como a mudança da cena da morte de Gisele. Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a arma do crime estar nas mãos da vítima, o que contraria a maioria dos casos de suicídio, em que o revólver solta dos dedos de quem atira. Justiça militar Por ser policial de carreira, o tenente coronel Neto também é alvo de outro inquérito, na Justiça Militar. Embora sejam esferas diferentes, as duas Justiças utilizaram desde o início o compartilhamento de provas. Na decisão que determinou a prisão do militar, o juiz Fabrício Alonso Martinez Della Paschoa, da 5° Auditoria Militar de São Paulo, ordenou a apreensão dos celulares do tenente-coronel e o afastamento do sigilo telemático dele. Agora, empresas de tecnologia serão oficiadas para que apresentem, inclusive, informações armazenadas na nuvem. Geraldo Neto foi preso na manhã desta terça-feira em São José dos Campos, no interior paulista. Segundo o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, o tenente-coronel se entregou sem resistência. — A prisão saiu no menor prazo possível, graças à sinergia das três polícias que trabalharam em conjunto. Foram provas produzidas pela Polícia Civil, pela Polícia Militar, pela Polícia Técnico-Científica. Eu posso garantir que esse foi o menor prazo possível para que a prisão fosse decretada com provas robustas, capazes de subsidiar o Ministério Público a oferecer denúncias — disse o corregedor da PM, Alex Reis Asaka. — A hipótese de suicídio está afastada e temos indícios contundentes que ele fez a alteração local, o que levou ao pedido da prisão — continuou. Após fazer exames no Hospital da Polícia Militar, o agora réu Geraldo Neto foi levado ao presídio Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.