O aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, com o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, voltou a colocar os mercados financeiros em alerta. A disparada do petróleo, que chegou a superar os US$ 100 por barril nas últimas semanas, ampliou a volatilidade e reacendeu temores sobre inflação e crescimento global. O conflito também influenciou a decisão sobre juros no Brasil. Nesta quarta-feira, o Banco Central decidiu pela redução da Taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual, a 14,75%. Em meio à guerra no Irã: Fed, banco central dos EUA, mantém os juros entre 3,5% e 3,75%; entenda impacto global Dois meses depois de início de reembolsos: R$ 800 milhões em investimentos do Banco Master ainda aguardam resgate Em momentos como o atual, investidores costumam ajustar rapidamente suas carteiras. Ativos considerados mais seguros ganham espaço, enquanto setores mais sensíveis ao ciclo econômico tendem a perder valor. Para a especialista e consultora em investimentos Carol Stange, esse movimento é típico em períodos de instabilidade. — Quando a percepção de risco aumenta, preservar patrimônio passa a ser tão importante quanto buscar retorno. Por isso, o capital tende a migrar para ativos vistos como mais seguros — afirma. A seguir, veja como diferentes classes de investimento costumam reagir em cenários de guerra ou forte tensão internacional e quais as orientações do que fazer com seu dinheiro, diante do patamar de juros ainda elevados. Ouro e dólar Em crises geopolíticas, o mercado costuma migrar para os chamados ativos de proteção, considerados mais resilientes em momentos de incerteza. Tradicionalmente fazem parte desse grupo o ouro, o dólar, títulos do Tesouro americano e algumas commodities estratégicas, especialmente as ligadas à energia. O ouro costuma ganhar destaque por não depender diretamente do desempenho de uma economia específica. R$ 46 bilhões ao todo: Tesouro volta a intervir no mercado nesta quarta-feira — Diferentemente de uma moeda ou de uma empresa, o ouro não está ligado à política econômica de um país. Por isso ele funciona como uma espécie de reserva de confiança quando o cenário global se torna mais instável — explica Stange. O dólar também tende a se valorizar nesses períodos. Em momentos de aversão ao risco, investidores globais direcionam recursos para ativos americanos, considerados mais seguros: — Os Estados Unidos ainda são vistos como o principal porto seguro financeiro do mundo, então, o fluxo internacional de capital acaba fortalecendo a moeda americana. Renda fixa ganha espaço Em períodos de maior incerteza global, a renda fixa costuma ganhar protagonismo nas carteiras. Muitos investidores passam a priorizar previsibilidade e preservação de capital, mesmo com retornos mais moderados. Conflitos que impactam o mercado de energia também tendem a reacender preocupações com inflação: — Quando o custo da energia sobe, ele acaba se espalhando por toda a economia. Isso aumenta o interesse por títulos com rendimento conhecido ou proteção contra a inflação. Imposto de Renda 2026: aposentados e pensionistas têm direito a dupla isenção Bolsa: vender ou aproveitar quedas? Crises geopolíticas costumam provocar quedas rápidas nas bolsas de valores, muitas vezes antes que o impacto econômico real do conflito esteja claro. Segundo Stange, isso acontece porque o mercado reage primeiro ao aumento da incerteza. — A bolsa tende a precificar o medo rapidamente. Só depois os investidores passam a avaliar com mais calma quais empresas realmente serão afetadas — diz. Para quem investe com horizonte de longo prazo, esses momentos podem abrir oportunidades. — Quedas generalizadas podem criar bons pontos de entrada em empresas sólidas que continuam com fundamentos fortes, apesar do ruído de curto prazo. Crise após Master: BRB negocia com Banco Central novo prazo para realização de aporte de capital Erros a evitar A especialista alerta que momentos de crise costumam estimular decisões impulsivas dos investidores. Um dos erros mais comuns, segundo ela, é reagir apenas às manchetes do dia. — Quem toma decisões apenas com base no noticiário corre o risco de vender depois da queda ou comprar quando o preço já subiu demais — diz. Outro equívoco frequente é concentrar investimentos em setores que parecem se beneficiar diretamente do conflito, como petróleo ou defesa. — Movimentos provocados por crises podem ser intensos, mas também costumam ser temporários. De acordo com Stange, nem todo conflito provoca mudanças estruturais na economia global: — Muitas vezes o mercado passa por um choque inicial de incerteza e, conforme as informações ficam mais claras, os preços voltam a refletir os fundamentos. Initial plugin text