Ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus presa em operação tem pedido de habeas corpus negado pelo STJ

Anabela Freitas, presa na operação Erga Omnes em Manaus. Rede Amazônica O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de habeas corpus e manteve a prisão preventiva de Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante-AM), presa na Operação Erga Omnes em fevereiro deste ano. Ela é investigada por supostamente integrar o "núcleo político" do Comando Vermelho (CV) no estado. A decisão é do ministro Ribeiro Dantas e foi publicada nesta semana. De acordo com a investigação, o grupo é suspeito de ajudar a organização criminosa a movimentar dinheiro e facilitar a logística do tráfico de drogas. A operação, que levou às prisões, foi deflagrada em fevereiro e também cumpriu mandados em outros estados. Nove investigados seguem foragidos. No pedido feito ao STJ, a defesa de Anabela alegou que houve demora da Justiça do Amazonas em analisar um pedido urgente de liberdade e que a prisão não teria fundamentação individualizada. Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Também foi pedida a soltura imediata ou a substituição da prisão por medidas cautelares, como prisão domiciliar, argumentando que a investigada é responsável pelos cuidados de um filho com autismo severo. Segundo as investigações, Anabela faz parte de um grupo criminoso estruturado, com atuação em vários estados e ligação com o tráfico internacional de drogas. De acordo com o processo, ela integraria o núcleo responsável por intermediar o acesso a informações sigilosas dentro da administração pública, com o objetivo de proteger as atividades da organização. Ainda conforme os autos, o grupo teria movimentado mais de R$ 70 milhões e possui ramificações em diferentes regiões do país, além de conexões com rotas de tráfico na fronteira com a Colômbia. A Justiça do Amazonas manteve a prisão ao entender que há risco de interferência nas investigações, destruição de provas e fuga. Também considerou que a apuração ainda está em fase inicial e que medidas alternativas não seriam suficientes. Ao analisar o caso, o STJ entendeu que não há ilegalidade evidente na decisão que manteve a prisão. O ministro destacou que a custódia foi fundamentada em elementos concretos e que, nesse tipo de situação, não cabe habeas corpus contra decisão que nega pedido liminar, salvo em casos excepcionais. Com isso, o pedido foi negado e a investigada segue presa enquanto o caso continua em análise na Justiça do Amazonas. Operação Erga Omnes Operação Erga Omnes foi deflagrada em 20 de fevereiro e cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão no Amazonas e em outros estados. A ação resultou na prisão de investigados e na apreensão de carros de luxo, dinheiro em espécie e documentos. Segundo a polícia, nove suspeitos seguem foragidos, incluindo o apontado como líder do grupo. De acordo com a decisão judicial, a prisão de Adriana Almeida Lima foi baseada em indícios de participação nos crimes e em provas coletadas durante a investigação. Entre os elementos citados estão a apreensão de 523 tabletes de skunk e sete fuzis, que deram origem às investigações, além de relatórios de inteligência financeira que apontam movimentação considerada atípica superior a R$ 70 milhões. A Justiça também apontou risco à ordem pública e à investigação, destacando que o grupo teria atuação interestadual e capacidade financeira e operacional significativa. Segundo as autoridades, há ainda indícios de tentativa de infiltração em estruturas do Estado para obter informações sigilosas sobre investigações. INFOGRÁFICO - Operação contra 'núcleo político' do CV no Amazonas [VALE ESTE] g1 Alvos da Polícia Civil são suspeitos de integrarem núcleo político do CV no AM