A Polícia Federal (PF) informou nesta quarta-feira ter identificado o download de dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro a partir de nuvem da Apple após solicitação da presidência da CPI do INSS. Esse a reintrodução de dados no ambiente técnico do Senado, segundo a PF, ocorreu após o cumprimento da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado ordenou a retirada de todo o material da comissão. Segundo a corporação, o novo armazenamento dos arquivos ocorreu "fora da cadeia de custódia estabelecida judicialmente", mecanismo que protege a integridade de provas e documentos utilizados em uma investigação. De acordo com a PF, a exclusão dos dados foi realizada na terça-feira após determinação do ministro. A operação incluiu a “retirada, extração, cópia segura e posterior exclusão dos dados armazenados nos ambientes técnicos do Senado Federal”. Durante a execução da medida, no entanto, os investigadores constataram que os mesmos arquivos voltaram a ser inseridos nos sistemas do Senado. Ou seja, após a exclusão dos arquivos, o Senado teria solicitado os dados novamente à Apple, o que poderia configurar um descumprimento da decisão do Supremo. “Durante a ação, foi constatada a reintrodução, no ambiente do Senado Federal, de dados anteriormente excluídos pela Polícia Federal. A medida decorreu de solicitação direta da Presidência da CPMI à empresa Apple”, diz a nota. A PF afirmou que os fatos foram comunicados a Mendonça, relator da investigação do Master no STF. Na noite de segunda-feira o ministro determinou o bloqueio do acesso ao material pela CPI do INSS que estava armazenado em uma sala-cofre e que continha dados e documentos relativos a Daniel Vorcaro, dono da instituição liquidada. O ministro também determinou que a PF retirasse os equipamentos armazenados no local, defendendo que a medida serviria para preservar o sigilo do banqueiro. Mendonça deu a decisão após avaliar o risco de que vídeos íntimos do banqueiro pudessem vazar. Em reação à nota da PF, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a Presidência da CPMI não foi notificada previamente e que não tem acesso ao controle técnico dos dados. Segundo ele, eventuais menções sobre interferência no material precisam ser esclarecidas formalmente nos autos. “Se há alguma menção nesse sentido, isso precisa ser esclarecido formalmente nos autos, porque a cadeia de custódia é conduzida pelas autoridades competentes, não pela Comissão”, disse. Viana acrescentou que a CPI está acompanhando o caso em conjunto com a Advocacia do Senado para garantir o devido esclarecimento dos fatos.