Tarcísio desembarca em Brasília e espera encontrar ministros do STF para pedir domiciliar a Bolsonaro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chega a Brasília na manhã desta quinta-feira para intensificar a articulação de aliados de Jair Bolsonaro em defesa da concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente. A viagem ocorre após uma rodada de contatos feitos por interlocutores do grupo com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio à internação do ex-mandatário desde sexta-feira, com quadro de pneumonia. Nos bastidores, a avaliação é de que a presença de Tarcísio na capital abre uma nova frente de interlocução direta com o tribunal. Segundo interlocutores, o governador tenta encaixar ao longo do dia conversas com ministros do STF, entre eles Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Luiz Fux e Edson Fachin. Também há expectativa de uma tentativa de aproximação com o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso e responsável por eventual decisão sobre o regime de cumprimento da prisão. Procurado, Tarcísio não comentou. A movimentação dá sequência a contatos telefônicos feitos pelo próprio governador nos últimos dias, segundo aliados. Agora, a estratégia é migrar para tratativas presenciais, reforçando o argumento de que o quadro clínico do ex-presidente justificaria a concessão da domiciliar por razões humanitárias. O avanço da articulação se insere em um movimento mais amplo do entorno de Bolsonaro, que passou a procurar integrantes do Supremo para relatar a internação e defender a revisão das condições de prisão. Interlocutores afirmam que o episódio da pneumonia reforçou, entre aliados, a avaliação de que há espaço para tentar sensibilizar o tribunal. Na terça-feira, advogados de Bolsonaro estiveram com Moraes para tratar do caso e formalizar um novo pedido de prisão domiciliar de caráter humanitário. O encontro foi acompanhado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que passou a atuar diretamente nas articulações. — Nós formalizamos um novo pedido de domiciliar humanitária e expusemos ali as nossas preocupações. Foi uma conversa objetiva, como advogados, e ele ficou de avaliar — disse Flávio. Auxiliares do governador afirmam que a viagem também inclui compromissos institucionais. Entre os temas previstos estão discussões relacionadas a ações judiciais envolvendo a Sabesp, pauta que mantém o governo paulista em interlocução frequente com o STF. Palanque em SP A agenda política do grupo também entrou em ajuste após o adiamento do evento que seria realizado em São Paulo para apresentação de diretrizes do plano de governo. A decisão foi tomada diante do contexto envolvendo a saúde de Bolsonaro e da reavaliação estratégica do timing da exposição pública da pré-campanha. Antes disso, Tarcísio deve participar, ainda nesta quinta-feira, de um jantar com Flávio e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em Brasília. O encontro ocorre em meio à mobilização em torno da situação do ex-presidente e deve servir para alinhar os próximos passos da articulação política e jurídica. Além da ofensiva no STF, a reunião deve tratar da reorganização da agenda para 2026. Integrantes do PL defendem calibrar o lançamento do plano de governo, avaliando que não há urgência na apresentação e que o momento pede cautela. O evento que estava marcado para o proximo dia 30 foi remarcado. Outro ponto sensível segue sendo o arranjo político em São Paulo. Tarcísio tem reiterado a aliados que pretende manter Felicio Ramuth (PSD) como vice e resiste à pressão do PL pela indicação de André do Prado, presidente da Alesp. Parte da sigla, por sua vez, tenta ampliar espaço na chapa e passou a defender a filiação de Ramuth e também a indicação de Eduardo Bolsonaro como suplente do secretário de Segurança, Guilherme Derrite (PP), em eventual disputa ao Senado — movimento que enfrenta resistência no entorno do governador pelo risco jurídico e político envolvido, já que Eduardo está fora do país. No caso do Senado, a segunda vaga também segue em aberto. Valdemar chegou a viajar aos Estados Unidos para tratar do tema diretamente com Eduardo, mas voltou sem definição. Nos bastidores, circulam diferentes possibilidades, com nomes como Mário Frias, Marco Feliciano, o empresário Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, e o vice-prefeito paulistano Mello Araújo sendo cogitados.