Flamengo reencontra Remo 13 anos após confronto de Copa do Brasil que 'deu empurrão' na transformação do clube

O jogo entre Flamengo e Remo, às 20h de hoje, no Maracanã, pela 7ª rodada do Brasileirão, vai encerrar alguns hiatos que perduram ao menos por uma década. O principal deles é o de 48 anos sem que cariocas e paraenses se enfrentem pelo torneio nacional, o que aconteceu por último na edição de 1978. Já os encontros mais recentes entre eles aconteceram há 13 anos, pela Copa do Brasil, no início da campanha de um título que foi a faísca para o rubro-negro viver uma transformação em sua História. Hoje uma das principais potências econômicas no futebol sul-americano e vivendo a segunda geração de ouro desde 2019, o Flamengo vivia realidade oposta em 2013. Era o primeiro ano da gestão de Eduardo Bandeira de Mello, presidente que pegou um clube na época de vagas magras e começou a conduzir um processo focado em pagamento de dívidas e reestruturação econômica. Com elenco modesto, vencer títulos de grande expressão ainda não era a principal prioridade. A conquista daquela Copa do Brasil, porém, ajudou a legitimar o processo. Na primeira fase, o Flamengo enfrentou justamente o Remo. Após vencer por 1 a 0, no Mangueirão, aplicou 3 a 0 em Volta Redonda, e seguiu em frente. Destaque da campanha, Hernane Brocador teve a atuação mais marcante do confronto, ao marcar um hat-trick no estádio Raulino de Oliveira. Mas foi Rafinha, grande promessa da base à época, o autor do gol da vitória em Belém, e o responsável por dar o primeiro passo daquela trajetória surpreendente. — Lembro que mobilizou a cidade. Muita gente na rua vestido de vermelho e preto, estádio lotado, foi um dia especial. Estava focado em ganhar o jogo, porque o Flamengo não joga muito por aquela região do Brasil, e a torcida nos recebeu com festa. Foi por eles — recorda Rafinha em entrevista ao GLOBO, antes de resgatar um episódio familiar: — Nesse jogo, reencontrei meu pai depois de alguns anos, trabalhando no Pará como radialista esportivo. Ele já faleceu, mas até isso fez aquele momento ser tão especial. Em 1978, último encontro entre Flamengo e Remo pelo Brasileirão Acervo/O GLOBO Hoje com 32 anos e defendendo o Jacareí (SP), o atacante aponta que a classificação contra o Cruzeiro, nas oitavas de final, foi o momento que o grupo percebeu que era possível vencer a Copa do Brasil. O Flamengo eliminou o time que seria campeão brasileiro daquela temporada, com um gol de Elias aos 43 minutos do segundo tempo do jogo de volta. Ao lado de Hernane, o volante foi protagonista da campanha coroada na final contra o Athletico-PR. — Quando você joga pelo Flamengo, pode chegar longe em qualquer competição, Não acreditavam na gente, mas nós sabíamos que tínhamos condições — aponta Rafinha. — Havia problemas como em qualquer clube, mas a diretoria fez tudo o que podia. Estavam pagando em dia e cumpriram com tudo. As glórias e as mazelas Os dois clubes seguiram por realidades bem diferentes até se reencontrarem 13 anos depois, na Série A. O Flamengo se potencializou economicamente e começou a fazer contratações de peso, mas também bateu na trave algumas vezes em campo antes de começar a colecionar taças, sob a batuta de Gabigol, Arrascaeta e companhia. O processo já rendeu, principalmente, três títulos de Libertadores (2019, 2022 e 2025) e outros três de Brasileiro (2019, 2020 e 2025), e promete seguir vitorioso. Rafinha diz que gostaria de ter ficado mais tempo no rubro-negro, mas sabe que tem um lugar na História: — Fui campeão e tive momentos bons, sempre sou lembrado pela torcida. Creio que estou na História de alguma forma. Creio que, se tivesse a estrutura que tem hoje, eu poderia ter ficado mais tempo. Sou grato por tudo que o Flamengo me proporcionou — conta o atacante. Rafinha fez primeiro gol da campanha do título do Flamengo na Copa do Brasil de 2013 Alexandre Vidal/Fla Imagem O Remo, por sua vez, estava sem divisão naquele confronto de 2013 e navegou por algum tempo nas mazelas do futebol nacional. Entre 2014 e 2024, acumulou duas temporadas na Série D (2014 e 2015), oito na C (2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2022, 2023 e 2024) e apenas uma na B (2021). No ano passado, o clube paraense enfim voltou para a Segundona e conseguiu emendar o acesso consecutivo para a Série A, onde reaparece após 32 anos — a primeira vez desde 1994. Para o confronto de hoje, Leonardo Jardim volta a ter Nico de la Cruz, vetado da vitória do Flamengo contra o Botafogo no último sábado, em função do gramado sintético do Nilton Santos. Bruno Henrique (pubalgia) e Saúl (calcanhar esquerdo) seguem fora. Já Léo Condé não terá a dupla de laterais João Lucas (suspenso) e Sávio (lesão na coxa direita). Porém, o atacante Gabriel Poveda, anunciado nesta semana pelo Remo, está regularizado e liberado para estrear. Flamengo x Remo - 7ª rodada do Brasileirão Local: Maracanã, Rio de Janeiro. Data e horário: quinta-feira (19), às 20h. Árbitro: Paulo César Zanovelli (Fifa-MG). Transmissão: Premiere. Prováveis escalações: Flamengo Rossi; Varela (Royal), Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Jorginho e Arrascaeta; Lucas Paquetá (Carrascal), Samuel Lino (Cebolinha) e Pedro. Técnico: Leonardo Jardim Remo Marcelo Rangel; Marcelinho, Marllon, Duplexe Tchamba e Kayky Almeida; Leonel Picco, Patrick de Paula, Vitor Bueno e Patrick; Alef Manga e João Pedro. Técnico: Léo Condé.