Traficante Jiló dos Prazeres ganhava percentual por cada roubo de carro e até por clonagem de veículos

Jiló dos Prazeres morreu em uma operação da PM Reprodução/TV Globo A cada roubo de veículo nas ruas do Centro e da Zona Sul do Rio praticado pela quadrilha do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, um percentual era destinado a Cláudio Augusto dos Santos, o Jiló dos Prazeres. O criminoso de 55 anos era um dos chefes mais antigos do Comando Vermelho em atividade e se destacava mais pelos roubos praticados por integrantes do grupo do que pela venda de drogas. Um dos traficantes mais procurados do Rio, Jiló acumulava 135 anotações criminais e tinha 8 mandados de prisão em aberto. Ele foi morto na manhã desta quarta-feira (18) durante uma operação da Polícia Militar contra a facção no Morro dos Prazeres – comunidade entre Rio Comprido e Santa Teresa, no Centro. Outros seis bandidos também foram mortos, além de um morador que foi feito refém. Em represália à ação policial, criminosos incendiaram ônibus e bloquearam vias do Rio Comprido, causando terror na região. Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Criminosos incendeiam ônibus e bloqueiam vias no Rio após morte de chefe do tráfico A ousadia da quadrilha era tanta que os assaltantes do Morro dos Prazeres praticavam roubos até na Lapa, região boêmia do Centro do Rio, sob o domínio de Wilton Carlos Rabelo Quintanilha, o Abelha. Nesta terça (17), a Polícia Civil deflagrou a Operação Colmeia. Segundo as investigações, o Comando Vermelho torturava dependentes químicos que rondavam as bocas de fumo da Lapa. Abelha aparece como dono das bocas de fumo da região. LEIA TAMBÉM: Casa onde refém e 6 bandidos foram mortos nos Prazeres vira cenário de guerra; VÍDEO ‘Tirei os passageiros e eles tacaram fogo’, diz motorista de ônibus incendiado Tráfico na Lapa invade imóveis, cobra ‘taxa’ de comerciantes e tortura dependentes químicos Ônibus incendiado na Avenida Paulo de Frontin Reprodução/TV Globo Veículo clonado rendia até R$ 8 mil A quadrilha de Jiló também praticava roubos na Zona Sul. Após os crimes, os carros eram levados para o Morro dos Prazeres, onde eram clonados. Segundo investigação da Polícia Civil, Jiló recebia entre R$ 5 mil e R$ 8 mil pela venda de cada carro adulterado. O grupo é investigado por roubos de veículos em regiões como Praça da Bandeira, Tijuca, Santa Teresa, Rio Comprido, Botafogo, Lagoa, Humaitá, Laranjeiras. Ficha criminal de Jiló dos Prazeres, morto nesta quarta-feira (18) pela PM Rafael Nascimento/g1 As investigações apontam ainda que peças de carros roubados eram vendidas a ferro-velhos ou lojas de veículos. De acordo com a polícia, Jiló também permitia que criminosos escondidos na comunidade atuassem no roubo de celulares. Desde 2023, a Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança monitorava a atuação do criminoso, que também seria responsável por fiscalizar construções irregulares na comunidade. O Morro dos Prazeres ainda seria usado como abrigo para traficantes do Piauí foragidos no Rio de Janeiro. Policiais militares na Avenida Paulo de Frontin Reprodução/TV Globo Jiló era apontado como um dos envolvidos na morte do turista italiano Roberto Bardella, de 52 anos, em dezembro de 2016. O estrangeiro foi baleado na cabeça e morreu na hora após entrar no Morro dos Prazeres. Segundo as investigações, Jiló havia sido colocado em liberdade cerca de 30 dias antes do crime.