Pernambucana RoB Love realiza seu sonho de reggae em um passe de mágica

Uma cantora brasileira de reggae? Sim, a novidade veio dar à praia na qualidade rara de “Magik”, o segundo álbum solo da pernambucana RoB Love, produzido por Kassin e por Mario Caldato Jr. (brasileiro radicado em Los Angeles, que assina discos de Beastie Boys, Jack Johnson, Seu Jorge e Marcelo D2). Lollapalooza: Festival ainda tem ingressos para dias de Chappel Roan e Tyler, The Creator; Sabrina Carpenter esgota Documentário: Conheça músico brasileiro que Michael Jackson considerava 'o maior percussionista do mundo' e vai ganhar estrela na calçada da fama Esfumaçado e com graves profundos, o disco será apresentado por ela em shows esta quinta-feira (19) no Rio (no Manouche) e sexta em São Paulo (na Casa Odete). Parece mágica — e, de certa forma, foi isso mesmo. — As coisas foram acontecendo assim: você chamava uma pessoa, não dava certo e aí, muito rápido, aparecia outra pessoa. Acho que quando você está num caminho certo, a magia acontece — divaga Roberta, 49, a RoB Love. — Foi um disco que fluiu muito dentro do que eu queria. E eu queria que ele fosse solar, que trouxesse boas vibrações para um mundo que vive esse momento sombrio. Acho que o reggae é um veículo muito bom para isso. Garota que cresceu em Recife ao som de Bob Marley (“a coisa ali me pegou, na frequência, na vibração, na forma de dançar, no ritmo... aí eu comecei a pirar nas letras”) e que viveu nos anos 1990 a efervescência do manguebeat de Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A. (“parecia que o reggae estava presente no background de quase todo mundo”), RoB foi estudar design na Califórnia no começo dos anos 2000. — Eu tinha muitos amigos músicos, fazia participações aqui e ali, mas o reggae pegou mesmo em mim nesse período que eu vivi lá. Na Califórnia tinha muita banda jamaicana das antigas fazendo show, além das bandas locais, pequenas. Sempre tinha um reggae — conta ela, que namorava então um cara que vendia açaí. — E aí a Samantha, mulher de Mario (Caldato), foi parar lá em casa querendo um potão de açaí e a gente ficou amiga. Eu era fã do Mario, mas não sabia que ele era tão fã de reggae, que tinha tantos vinis de reggae. E aí falei: “Se um dia eu fizer um trabalho de música, quero que você produza!” Vinte anos se passaram e aconteceu. Na pandemia, RoB Love desovou suas composições em um disco solo, mais intimista e synthpop, produzido por William Paiva, que até hoje é tecladista de sua banda. Só depois de um EP apenas com músicas de Bob Marley ela resolveu investir em “Magik”, o disco do reencontro com Mario Caldato. As músicas nasceram do trabalho com Gabriel Geraissati (indicado por Caldato, com quem ela compôs em Recife) e com um time formado por nomes como Jonathan Ferr, Gabriel Moura, King Saints e Mariana Volker. — A gente foi para um dia em São Paulo, um dia no Rio, com o objetivo de fazer três ou quatro músicas cada dia. Foi uma experiência muito massa, nunca tinha composto coletivamente. Algumas músicas vieram em inglês, outras em português. Mas às vezes as coisas se misturaram — diz.