Caso Master atinge principais forças políticas da Bahia

O avanço nas investigações sobre o caso Master atingiu políticos da Bahia e virou arma eleitoral contra o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) e nomes do PT, como o líder do governo no Senado, Jaques Wagner. Política: Moro vai se filiar ao PL no dia 24 e sela aproximação com Flávio, que irá apoiá-lo na disputa pelo governo do Paraná Leia mais: CPI do Crime Organizado quebra sigilo de fundo que comprou fatia de empresa de Toffoli em resort e tenta drible a veto do STF No caso de ACM Neto, pré-candidato a governador, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que ele recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, da gestora de recursos Reag. Os recursos foram repassados ao ex-prefeito de Salvador logo após as eleições de 2022, entre março de 2023 e maio de 2024. Procurado, ACM Neto disse que os valores são referentes a serviços de consultoria. Já a nora de Wagner recebeu pelo menos R$ 11 milhões do Master, segundo o portal Metrópoles. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que pertence a ela. Em nota, Wagner disse que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”. No caso do PT, há ainda as relações do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master, com figuras do partido, como o ministro Rui Costa (Casa Civil). Pauta para outubro As revelações envolvendo as relações do Master e de Vorcaro com políticos têm influenciado a disputa pelo governo da Bahia. Os dois principais grupos que devem disputar o cargo se viram envolvidos no escândalo. Wagner deve ser candidato à reeleição ao Senado e é um dos principais nomes do PT, que disputará a reeleição para o governo do estado com Jerônimo Rodrigues. Integrantes do União Brasil tentam jogar o desgaste para o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmando que uma das gêneses do caso da fraude bancária começou nas gestões do PT na Bahia, quando Rui Costa era governador. O petista privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), dona da rede de supermercados Cesta do Povo, arrematada em 2018 por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no agora liquidado Banco Master. Lima deixou o Master em 2023 e levou consigo um dos ativos inclusos no leilão promovido pela gestão de Rui Costa, o Credcesta, cartão de crédito consignado para servidores e aposentados. O ministro incluiu o Credcesta no terceiro leilão da Ebal, após duas tentativas malsucedidas de venda da empresa à iniciativa privada. Com o Credcesta, a compra passou a ser vantajosa. — Tudo começou com o PT na Bahia, com o Credcesta. O caso Master vai interferir na campanha de todo mundo que estiver envolvido. Agora é ver quem está mais baleado que o outro — diz o deputado José Rocha (União-BA). Em fevereiro, Costa defendeu a decisão que tomou quando era governador e argumentou que a operação de cartão de crédito consignado foi o que viabilizou o negócio. Em outra vertente, Bonnie Toaldo Bonilha, que é casada com um enteado de Wagner, figura como uma das sócias da empresa BK Financeira, que recebeu do Master. O contrato foi firmado em 2021. Reação cautelosa Apesar disso, há cautela no União Brasil em como o caso será usado contra o PT. ACM Neto ainda não se posicionou publicamente sobre o caso. O entendimento é que é preciso alinhar com a estratégia de marketing da campanha como o grupo político vai se posicionar. Neto contratou o marqueteiro João Santana, responsável por campanhas vitoriosas do PT, mas hoje crítico ao governo Lula. Do outro lado, petistas aproveitaram o caso envolvendo ACM Neto para tentar desvincular a esquerda do escândalo. “Espero que a Justiça tome conta, acompanhe, monitore e mostre para a gente de fato a realidade. Eu aguardo que a Justiça faça o seu papel, esse é um tema muito sério”, disse o governador Jerônimo Rodrigues, rival de ACM Neto na disputa de outubro. A cúpula nacional do União Brasil tem culpado o governo pelos seguidos reveses sofridos em investigações envolvendo lideranças nacionais da legenda. A avaliação é que a Polícia Federal não age sem estar alinhada com o governo do presidente Lula. Apesar de ter indicado três ministros, o partido deve ficar neutro na eleição presidencial e liberar os diretórios estaduais.