Quem disse que tubarão nada sozinho? Estudo revela que tubarões-touro formam 'amizades'

Já imaginou que tubarões podem escolher com quem nadar? Um estudo publicado nesta terça-feira (17) na revista científica Animal Behaviour sugere que esses predadores, frequentemente retratados como solitários, mantêm relações sociais consistentes, algo comparável, em certa medida, a “amizades”. Boto-cor-de-rosa e tartaruga-da-Amazônia sob pressão: quase um quarto das espécies migratórias corre risco de extinção, aponta relatório da ONU Video: Câmeras flagram momento raro em que raposa invade toca e leva filhote de lobo na Itália A pesquisa foi conduzida na Reserva Marinha de Shark Reef, em Fiji, e analisou o comportamento de 184 tubarões-touro ao longo de seis anos. Os dados mostram que esses animais não se agrupam de forma aleatória: eles tendem a formar pares recorrentes, nadando lado a lado ou seguindo uns aos outros em movimentos coordenados. Relações seletivas no fundo do mar Os cientistas observaram dois tipos principais de interação: a proximidade física, quando os tubarões permaneciam a uma distância de até um corpo entre si, e comportamentos mais deliberados, como o padrão de “liderar e seguir”. Esses registros indicaram que os encontros eram repetidos entre os mesmos indivíduos, sugerindo preferência por determinados companheiros e até a evitação de outros. A autora principal do estudo, Natasha Marosi, fundadora do Fiji Shark Lab, comparou o comportamento à dinâmica social humana. “Assim como nós, eles parecem cultivar diferentes tipos de relações e evitar certos indivíduos”, afirmou em entrevista ao Times. Os tubarões-touro estão entre as maiores espécies do grupo, podendo atingir até 3,5 metros de comprimento e pesar cerca de 230 quilos. Adaptáveis, vivem em águas quentes ao redor do mundo e se destacam por tolerar água doce, sendo encontrados também em rios e estuários. Apesar de figurarem entre os três tipos mais associados a ataques a humanos, ao lado do tubarão-branco e do tubarão-tigre —, incidentes desse tipo são considerados raros. Segundo o estudo, fatores como idade e tamanho influenciam a formação dessas redes sociais. Indivíduos adultos em fase reprodutiva ocupam posições centrais, mantendo laços mais estáveis. Já os machos, geralmente menores que as fêmeas, apresentam maior número de conexões, possivelmente como estratégia para reduzir conflitos com animais maiores. Para o pesquisador Darren Croft, do Centro de Pesquisa em Comportamento Animal da Universidade de Exeter, os resultados ajudam a rever percepções consolidadas. “Ao contrário da visão comum, os tubarões têm vidas sociais relativamente ricas e complexas”, afirmou. “Ainda estamos começando a entender como essas interações funcionam.” A descoberta reforça a ideia de que, mesmo entre predadores temidos, a vida no oceano pode ser mais social, e sofisticada, do que se imaginava.