Cientistas identificam novo tipo de planeta 'derretido' com oceano de magma e cheiro de ovo podre

Astrônomos identificaram um novo tipo de planeta fora do Sistema Solar, descrito como um “mundo infernal” coberto por um oceano global de magma e envolto em uma atmosfera tóxica rica em enxofre. A descoberta, liderada por pesquisadores da Universidade de Oxford e publicada na revista Nature Astronomy, sugere a existência de uma nova classe de exoplanetas, distinta das categorias conhecidas até hoje. Lançamento da missão Artemis II ganha nova data: Astronautas devem decolar em 1º de abril Pioneirismo espacial: Primeiro foguete da história decolou há 100 anos em plantação de repolho dos EUA; entenda O planeta, chamado L 98-59 d, está localizado a cerca de 35 anos-luz da Terra e tem aproximadamente 1,6 vezes o tamanho do nosso planeta. Diferentemente de mundos rochosos ou cobertos por água, ele apresenta uma estrutura incomum: um vasto oceano de rocha derretida que se estende por milhares de quilômetros abaixo da superfície. Segundo os cientistas, essa camada de magma funciona como um reservatório de enxofre, liberando gases para a atmosfera ao longo de bilhões de anos. Entre eles está o sulfeto de hidrogênio, composto químico responsável pelo odor característico de ovo podre. As condições no planeta são extremas. A temperatura da superfície pode ultrapassar 1.500 °C, mantendo o material rochoso em estado líquido permanente. A atmosfera densa, rica em hidrogênio e compostos sulfurosos, contribui para um efeito estufa intenso, impedindo o resfriamento do planeta ao longo de sua história. Os dados que permitiram a descoberta foram obtidos com o telescópio espacial James Webb e complementados por simulações computacionais que reconstruíram a evolução do planeta desde sua formação. Os resultados indicam que o L 98-59 d não se encaixa nas classificações tradicionais, como planetas rochosos com atmosfera leve ou mundos oceânicos ricos em água. Telescópio James Webb, da Nasa Divulgação/Nasa Para os pesquisadores, o achado sugere que os modelos atuais usados para classificar planetas são simplificados demais e que pode existir uma diversidade muito maior de mundos na galáxia. A hipótese é que o L 98-59 d seja o primeiro exemplo identificado de uma população de planetas ricos em enxofre, com oceanos de magma duradouros. Segundo o coautor do estudo, professor Raymond Pierrehumbert (Departamento de Física da Universidade de Oxford), ressaltou que os oceanos de magma representam o estado inicial universal de todos os planetas rochosos (incluindo a Terra e Marte), de modo que novos conhecimentos sobre a física desses oceanos podem nos ajudar a compreender melhor o nosso próprio planeta e sua história primordial: — O que é empolgante é que podemos usar modelos computacionais para revelar o interior oculto de um planeta que nunca visitaremos. Embora os astrônomos só consigam medir à distância o tamanho, a massa e a composição atmosférica de um planeta, esta pesquisa mostra que é possível reconstruir o passado profundo desses mundos alienígenas e descobrir tipos de planetas sem equivalente no nosso próprio Sistema Solar — disse. Embora o ambiente seja considerado inóspito para a vida como conhecemos, o estudo ajuda a compreender melhor os processos de formação planetária — inclusive da própria Terra, que também passou por uma fase inicial de oceano de magma. A descoberta amplia o entendimento científico sobre a variedade de planetas existentes no universo e levanta novas questões sobre quantos outros mundos, ainda desconhecidos, podem desafiar as classificações atuais.