O que são e como funcionam as armas proibidas usadas por Israel e Irã

As bombas de fragmentação voltaram a ocupar o centro das atenções internacionais após o ataque do Irã a um edifício e o uso desse tipo de armamento tem sido denunciado devido ao seu alto poder destrutivo e ao seu impacto sobre a população civil. Essas munições são particularmente criticadas por organizações internacionais por sua natureza indiscriminada. Ataques: Irã alerta o Golfo sobre violenta retaliação após ataque a campo de gás compartilhado com o Catar 7 mortos, diz Petro: Equador nega suposto bombardeio em território colombiano Esse tipo de arma é proibido por mais de 100 países pela Convenção sobre Munições de Fragmentação, um tratado internacional que proíbe seu uso, produção, armazenamento e transferência. No entanto, nem todos os Estados a assinaram, o que significa que seu uso continua em diversos conflitos. O que são bombas de fragmentação? As bombas de fragmentação são um tipo de munição que, em vez de detonar em uma única explosão, libera dezenas ou até centenas de pequenas cargas explosivas, conhecidas como submunições, durante o voo. Essas bombas podem ser lançadas de aeronaves, mísseis ou sistemas de artilharia e são projetadas para se dispersarem por uma ampla área, potencialmente do tamanho de vários campos de futebol. Como explicou a BBC, trata-se de “um método de dispersão de um grande número de pequenas bombas lançadas por um foguete, míssil ou projétil”. Em termos técnicos, essas bombas normalmente se abrem no ar antes do impacto, liberando múltiplas submunições que caem sobre uma vasta área. Cada submunição é projetada para explodir ao atingir o solo, multiplicando o efeito destrutivo. No entanto, um dos principais problemas é a sua taxa de falha. Uma proporção significativa dessas submunições não detona com o impacto. De acordo com especialistas citados pelo meio de comunicação mencionado, elas permanecem ativas no solo e podem explodir posteriormente se forem manuseadas ou pisadas . Organizações como a Human Rights Watch alertaram que esse comportamento as transforma efetivamente em minas antipessoais improvisadas, já que permanecem inativas por anos e representam um risco constante. Galerias Relacionadas Por que elas são proibidas? O principal motivo para a proibição é sua natureza indiscriminada. Por se espalharem por grandes áreas, não distinguem entre alvos militares e civis, aumentando o risco de baixas entre não combatentes. Além disso, a elevada percentagem de submunições que não explodem imediatamente significa que o perigo persiste muito tempo depois do ataque. Estas podem detonar anos mais tarde, afetando particularmente civis, incluindo crianças, que podem confundi-las com objetos inofensivos. “As bombas de fragmentação espalham pequenas bombas por uma vasta área, muitas das quais não explodem imediatamente . Elas podem matar e mutilar pessoas anos depois”, alertou o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, segundo o veículo de comunicação. Por essa razão, a Convenção sobre Munições de Fragmentação estabeleceu sua proibição internacional e alertou que o uso desse tipo de arma em áreas povoadas pode constituir um crime de guerra. Bombas termobáricas e munições tóxicas Investigações recentes e denúncias de organizações de direitos humanos apontam para o uso de armamentos altamente destrutivos por Israel nos conflitos no Oriente Médio, especialmente na Faixa de Gaza e no sul do Líbano. Entre as acusações estão o emprego de bombas termobáricas — capazes de gerar calor extremo e pressão suficiente para desintegrar corpos — e munições tóxicas como o fósforo branco, com efeitos duradouros sobre a saúde e o meio ambiente. Um levantamento divulgado pela rede Al Jazeera indica que milhares de palestinos podem ter sido mortos por explosões de armas termobáricas desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. Segundo a apuração, equipes de defesa civil registraram casos em que vítimas teriam sido “vaporizadas”, restando apenas vestígios biológicos após os ataques. Galerias Relacionadas Esses artefatos, também conhecidos como bombas de vácuo, funcionam ao dispersar uma nuvem de combustível que, ao ser detonada, consome o oxigênio do ambiente e gera uma onda de choque de alta temperatura. O efeito é particularmente devastador em áreas densamente povoadas ou espaços confinados. Além disso, há denúncias recorrentes sobre o uso de fósforo branco em áreas civis. Organizações como a Human Rights Watch afirmam ter identificado o uso desse tipo de munição tanto em Gaza quanto no Líbano. A substância, embora não seja classificada como arma química, é altamente incendiária e pode causar queimaduras profundas, falência de órgãos e contaminação ambiental. No caso do Líbano, relatos das últimas semanas apontam que o material foi empregado em áreas residenciais, provocando ferimentos e obrigando deslocamentos de civis. O uso em áreas habitadas é considerado ilegal por violar princípios de distinção e proporcionalidade em conflitos armados. Os impactos vão além das mortes imediatas. Estudos e relatórios indicam que resíduos tóxicos de armamentos permanecem no solo, na água e no ar por anos, ampliando riscos à saúde e dificultando a reconstrução. Em Gaza, o volume de destroços contaminados já chega a dezenas de milhões de toneladas, segundo estimativas internacionais. Autoridades israelenses, por sua vez, negam irregularidades e afirmam que suas operações seguem as normas internacionais. Em episódios anteriores, o país também rejeitou acusações sobre o uso indevido de fósforo branco, sustentando que o material pode ser empregado legalmente para fins como criação de cortinas de fumaça. *Com informações de La Nación