Dentre as “trends” que chamam a atenção nas redes sociais, uma envolve uma crença popular associada a gatos. Em vídeos virais, pessoas afirmam que pedir para que seus gatos domésticos tragam dinheiro é uma prática espiritual para atrair a prosperidade. Som alto, não: Companhia aérea dos EUA passa a exigir fones de ouvido em voos e pode banir passageiros Porsche do Bill Gates: Conheça modelo esportivo que fez magnata acumular 13 anos de multas e alterar legislação dos EUA; imagens Nas publicações compartilhadas, os internautas afirmam que qualquer gato pode ser mensageiro de abundância financeira, não se restringindo apenas aos pets. No entanto, é importante chamar o gato pelo nome, mesmo que seja necessário nomeá-lo naquele momento. — Você segura o gato, fala o nome dele e pede exatamente o dinheiro que você está necessitando no momento. Explique também para o que você quer usar esse dinheiro. Um exemplo: ‘Luna, eu preciso de R$ 1 mil para pagar as minhas contas e ter mais tranquilidade — orienta uma influenciadora. Initial plugin text A relação entre gatos, mitologias, espiritualidade e prosperidade não começou nas redes sociais, mas atravessa milênios e diferentes culturas, revelando como esse animal foi associado tanto ao sagrado quanto à proteção e à sorte. Na Egito Antigo, os gatos eram considerados animais divinos. A deusa Bastet, frequentemente representada com cabeça de gato, simbolizava proteção, fertilidade e harmonia doméstica. Matar um gato era um crime grave, e muitos eram mumificados após a morte, indicando seu status espiritual elevado. A presença de gatos nos lares também estava associada à proteção contra espíritos malignos e pragas, o que reforçava a ideia de prosperidade e equilíbrio. Na tradição nórdica, os gatos também tinham conotações espirituais. A deusa Freyja, ligada ao amor, à beleza e à abundância, era descrita como viajando em uma carruagem puxada por gatos. Esse simbolismo reforça a associação do animal com fertilidade, riqueza e poder feminino. No Japão, o gato é amplamente reconhecido como símbolo de boa sorte e prosperidade. A “Maneki-neko”, escultura de gato frequentemente encontrada em comércios, é vista como um amuleto que atrai clientes e riqueza. A posição da pata levantada e as cores da estátua variam de acordo com o tipo de sorte desejada — financeira, amorosa ou proteção. Initial plugin text Já na Idade Média europeia, a percepção dos gatos sofreu uma inflexão. Associados à bruxaria e ao ocultismo, especialmente os gatos pretos, passaram a ser vistos com desconfiança. Essa visão negativa, no entanto, convivia com crenças populares de que os gatos tinham habilidades espirituais, como perceber energias invisíveis ou atuar como guardiões contra forças sobrenaturais. No campo da espiritualidade contemporânea, os gatos continuam sendo associados à sensibilidade energética e à proteção do ambiente. Em práticas esotéricas e espiritualistas, acredita-se que eles ajudam a transmutar energias negativas e a manter o equilíbrio vibracional do espaço. Essa percepção dialoga com tradições antigas, reforçando a ideia do gato como um intermediário entre o mundo físico e o espiritual. Além disso, em diversas culturas, a presença de gatos está ligada à prosperidade material e emocional. Sua habilidade natural de caçar pragas contribuiu historicamente para a preservação de alimentos, especialmente em sociedades agrícolas, o que também fortaleceu sua associação com abundância e segurança. Trend da internet: funciona mesmo? Segundo Mateus Costa, oraculista e pesquisador do esotérico, o conteúdo viral vem de tradições de diversas culturas que atravessaram os anos e é um consenso em diversas crenças espirituais. — É o que sempre chamamos de “simpatias”, a “mandinga popular”, como tantas que temos. As tradições esotéricas aparecem de forma mais acessível com os influenciadores digitais. Dá certo sim, não é à toa que em diversas tradições nós temos os gatos como uma conexão com o mundo espiritual, como um emissário para os bons espíritos. As pessoas reproduzem, têm bons resultados e isso vai se espalhando — diz o especialista. Ele reforça que a simpatia tem fundamento histórico nas tradições místicas e esotéricas, e não em uma religião ou cultura específica. — Não é algo específico que está escrito em um livro apenas, mas uma herança que está sendo resgatada — conclui.