Petróleo e gás disparam com escalada de ataques a instalações no Golfo; Bolsas caem

Os preços do petróleo e do gás natural dispararam à medida que ataques em escalada no Golfo Pérsico ameaçam causar danos de longo prazo a importantes instalações de energia. Os futuros do gás na Europa subiram até 35%, mais que dobrando em relação ao nível pré-guerra, enquanto o petróleo Brent chegou a US$ 119 por barril. As Bolsas globais registram queda, assim como o ouro. O dólar apresentou pouca variação. Por volta das 7h (hora de Brasília), o barril do Brent, referência internacional, reduziu a alta, sendo negociado a US$ 114,67, com alta de 6,79%, enquanto o tipo Texas (WTI), referência nos Estados Unidos, recuava 0,25%, cotado a US$ 96,08 o barril. Um míssil iraniano causou “danos extensos” a um complexo no Catar que abriga a maior usina de gás natural liquefeito do mundo. Já os carregamentos de petróleo na costa oeste da Arábia Saudita, uma rota vital de exportação para o país diante do fechamento do Estreito de Ormuz, foram brevemente interrompidos por um ataque. Além disso, uma instalação de gás em Abu Dhabi foi fechada após ser atingida por destroços de um ataque interceptado, e duas refinarias de petróleo no Kuwait foram incendiadas por drones. O ataque ao Catar, em particular, levanta o espectro de preços de energia mais altos no longo prazo como resultado da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Embora os fluxos de petróleo e gás através do Estreito de Ormuz possam ser retomados após o fim do conflito, quaisquer instalações de produção gravemente danificadas na região podem levar muito mais tempo para se recuperar. — O GNL do Catar pode, em princípio, ficar fora de operação por meses e, no pior cenário, por anos — disse Arne Lohmann Rasmussen, analista-chefe da Global Risk Management. — Para o mercado de gás, a crise não termina simplesmente porque a guerra acaba e o Estreito de Ormuz reabre. O presidente Donald Trump respondeu pressionando por uma desescalada do conflito. Ele afirmou que Israel se absteria de realizar novos ataques ao campo de gás South Pars, o ataque que levou Teerã a retaliar contra o Catar. No entanto, o presidente americano também disse que os EUA “explodiriam massivamente toda a área” de South Pars se o Irã voltar a atacar as instalações de GNL do Catar. O petróleo já subiu cerca de 60% desde o início da guerra. Um direcionamento mais intenso contra a infraestrutura energética de produção, seja no Irã ou em toda a região, ameaça causar um impacto mais duradouro nos preços do petróleo. — O mercado ainda está subestimando e não precificando totalmente o risco de quão rapidamente isso pode escalar — disse Haris Khurshid, diretor de investimentos da Karobaar Capital LP, em Chicago. — Se isso evoluir para ataques diretos, US$ 120 não será o teto — será o ponto de partida. Bolsas em queda As bolsas asiáticas e europeias ampliaram as perdas após uma nova alta nos preços do petróleo e do gás, intensificando as preocupações de que a guerra no Oriente Médio alimente a inflação e prejudique o crescimento das economias. Confira abaixo: Na Ásia Bolsa de Tóquio: - 3,38% Bolsa de Hong Kong: - 2,02% Bolsa da China: -1,61% Na Europa Bolsa de Londres: -1,53% Bolsa de Paris: - 1,33% Bolsa de Frankfurt: - 1,92% Nos Estados Unidos Futuro do S&P: -0,09% Futuro do Nasdaq: -0,21% Futuro do Dow Jones: - 0,05% O ouro caiu 2,2%, aproximando-se de US$ 4.700 a onça. O dólar apresentou pouca variação. O euro subiu 0,1%, para US$ 1,1468. O Bitcoin caiu 1,1%, para US$ 70.458,62. Ataques no Catar A QatarEnergy informou que várias instalações de GNL dentro de sua cidade industrial de Ras Laffan foram atingidas por mísseis, “causando grandes incêndios e danos adicionais extensos”. Embora os embarques da usina de GNL já tivessem sido interrompidos no início deste mês devido à guerra, os ataques mais recentes ameaçam uma interrupção mais prolongada do fornecimento. Os detalhes completos sobre a extensão dos danos e o cronograma de reparos ainda não são conhecidos. Embora os países asiáticos comprem a maior parte do GNL enviado do Oriente Médio, qualquer interrupção prolongada nos fluxos reduziria o equilíbrio global de oferta — mantendo os preços elevados em todo o mundo. Os contratos futuros de gás natural nos EUA, também um grande exportador de GNL, subiram até 6,5% na quinta-feira. A planta Pearl de conversão de gás em líquidos, da Shell, também sofreu danos, informou a empresa. Um incêndio foi controlado e a instalação está em “condição segura”, segundo comunicado. O pessoal essencial está em segurança e a extensão dos danos está sendo avaliada. — Um ataque retaliatório a Ras Laffan é exatamente o que o mercado global de gás natural mais temia — disse Tom Marzec-Manser, diretor de gás e GNL para a Europa na consultoria Wood Mackenzie Ltd. — Ainda não sabemos qual parte do complexo industrial foi danificada, mas, de qualquer forma, isso vai pressionar os preços para cima. Abu Dhabi fechou as instalações de gás de Habshan após a interceptação de mísseis que tinham como alvo a planta e um campo de petróleo, o que resultou na queda de destroços. Não houve registro de feridos, informou o Escritório de Mídia de Abu Dhabi em uma publicação no X. Ataques a refinarias No Kuwait, duas refinarias de petróleo foram atingidas por drones. Um incêndio limitado em uma unidade operacional da refinaria Mina Al-Ahmadi, com capacidade de 346 mil barris por dia, já foi controlado, assim como um incêndio na refinaria Mina Abdullah, de 454 mil barris por dia, segundo a estatal Kuwait Petroleum e sua subsidiária de refino Kuwait National Petroleum. Um drone caiu na refinaria Samref, na cidade de Yanbu, na costa oeste da Arábia Saudita — uma instalação de propriedade conjunta da Aramco e da Exxon Mobil. Um míssil balístico que seguia em direção ao porto da região, atualmente uma rota vital de escoamento das exportações de petróleo sauditas, foi interceptado, informou o Ministério da Defesa do país. Yanbu é crucial para a Arábia Saudita e para o mercado global de petróleo, e os ataques de quinta-feira marcam a primeira vez nesta guerra em que a cidade foi alvo do Irã. O reino aumentou as exportações de petróleo a partir do porto após o bloqueio do Estreito de Ormuz, enquanto a Samref é uma das plantas das quais a empresa depende para fornecer combustíveis como diesel à Europa.