Conheça as 8 modelos brasileiras que estrelam o especial da série "Memórias de Passarela"

Nas semanas de moda inverno 2026, encerradas no último 12 de março (com a apresentação da Valentino em Roma), a presença das modelos brasileiras nos desfiles foi impossível de passar despercebida. Mais de 30 jovens nomes atravessaram as passarelas de Nova York, Londres, Milão e Paris. Para fechar a boa fase com chave de ouro, a Vogue Brasil reuniu oito nomes que brilharam na temporada para uma edição especial da série de vídeos "Memórias de Passarela". Diretamente de Paris, elas compartilharam os momentos e encontros mais marcantes que vivenciaram nos últimos anos, de débuts exclusivos para a Chanel e Louis Vuitton a bastidores inéditos com as principais mentes que pensam e repensam a moda na atualidade, como Matthieu Blazy, Chemena Kamali, Alessandro Michele, Michael Rider, entre outros. Confira o vídeo no perfil da Vogue no Instagram e ao fim da matéria e conheça abaixo as oito modelos participantes: Leia também Gabby Dobbins A modelo acreana Gabby Dobbins Flore Lorente Entre as brasileiras mais jovens a conquistar espaço nos principais desfiles internacionais, Gabriely Dobbins, ou simplesmente Gabby, tem projetado a presença indígena do povo Kaxinawá para o mundo. Aos 18 anos, a modelo natural de Sena Madureira, no interior do Acre, deu os primeiros passos na carreira por incentivo da mãe, que a inscreveu em um concurso de Miss na cidade. Agenciada desde os 16 anos, Gabby debutou internacionalmente no ano passado na marca francesa Chloé, onde desfilou com exclusividade. "Fiquei dois meses trabalhando com eles, junto à Chemena Kamali [diretora criativa alemã]. Foi muito marcante", recorda. Eduarda Muehlmann A modelo catarinense Eduarda Muehlmann Flore Lorente Trabalhar como modelo sempre foi o desejo de Eduarda Muehlmann. A jovem catarinense, de São Bento do Sul, só não imaginava que o ponto de partida para realizá-lo viria pelas redes sociais, em plena pandemia. “Uma agência de Curitiba me encontrou no Instagram em 2020 e acabei assinando com eles. No início de 2023, mudei para São Paulo e passei a trabalhar na área em tempo integral”, relembra. A modelo de 19 anos, que nesta última temporada abriu a apresentação da Lacoste, em Paris, guarda com carinho o seu début na alta-costura que, coincidentemente, aconteceu junto à aguardada estreia de Alessandro Michele como diretor criativo da Valentino, em janeiro de 2025. "Foi o primeiro desfile grande que me deu visibilidade e foi o único que fiquei nervosa, geralmente não fico." Julia Barucci A modelo paulista Julia Barucci Flore Lorente Antes de pensar em modelar, o sonho da paulista Julia Barucci era ser estilista. Inspirada pela mãe, que trabalha com moda, a jovem de 22 anos, natural de Lins, interior de São Paulo, chegou a cursar dois anos de graduação, mas no último um ano e dois meses resolveu experimentar "o outro lado do balcão". Apesar do breve período, a neotop já viveu uma temporada em Londres, onde fez trabalhos para Alexander McQueen. Nas últimas semanas de moda da temporada de inverno 2026, desfilou para grifes como Dior, Valentino, Fendi, Mugler e Margiela. "Foi um processo até tomar a decisão de trancar a faculdade, mas foi mágico perceber que eu podia trabalhar com pessoas que admiro e continuar estudando através delas. Quando você gosta e presta atenção, consegue aprender muito nos fittings; observar os tecidos, as modelagens e as ideias dos designers." Com planos de retornar às salas de aula, por enquanto, ela segue entusiasmada com as experiências de passarela. Supersticiosa com números, ela costuma dizer que "coisas maravilhosas acontecem nos dias 22". Prova disso foi a sua aprovação nos castings para as apresentações de alta-costura da Dior e Valentino na data, em janeiro deste ano. Julia Morais A modelo carioca Julia Morais Flore Lorente Quando criança, a carioca Julia Morais já desfilava. Vestia as roupas e os sapatos da mãe e se apresentava para a família. Mas na adolescência, não gostava de pensar nessa possibilidade – nem mesmo de brincadeira. "Era muito insegura. As pessoas diziam que eu tinha perfil, mas não gostava da ideia." Com 18 para 19 anos, decidiu dar uma chance. Fez um ensaio fotográfico caseiro, sozinha, apenas com um tripé e "um monte de gambiarra", lembra. "Mandei as fotos por e-mail para algumas agências em São Paulo. Algumas responderam, outras não. Mas tive muita sorte e fui chamada pela Way", conta. Aos 20, ela acaba de realizar sua grande estreia para a Chanel na coleção de inverno 2026. "Foi o meu primeiro desfile internacional. A minha família ficou emocionada e eu também. A minha ficha só caiu depois, quer dizer, ainda está caindo." Larissa Moraes A modelo baiana Larissa Moraes Flore Lorente Larissa Moraes tinha somente 13 anos quando recebeu o primeiro convite para modelar. Apesar do incentivo da família, decidiu concluir o terceiro ano do ensino médio antes de fazer as malas e embarcar para Paris. A estreia internacional de maior destaque também veio cedo: em maio de 2024, desfilando com exclusividade para a Louis Vuitton no desfile de cruise que aconteceu em Barcelona. Não por acaso, o diretor criativo da grife, Nicolas Ghesquière, ocupa um lugar especial em sua trajetória. “Foi ele quem deu início à minha carreira e sempre foi muito receptivo.” Com passagens por grandes marcas — como Valentino, Balmain, Dior, Miu Miu, Balenciaga, Chloé e Rabanne —, a modelo aponta a experiência com Jean Paul Gaultier como a mais memorável. “Lembro que desfilei para eles [enquanto fazia o casting] e se apaixonaram. Disseram: ‘Meu Deus, essa roupa é sua.’ Todo mundo que estava ali se levantou e me aplaudiu de pé. Comecei a chorar.” Isabel Alves A modelo baiana Isabel Alves Flore Lorente Não faz muito tempo desde que Isabel Alves deixou sua cidade natal, Ibipitanga, no interior da Bahia, para correr atrás da própria independência. Aos 17 anos, mudou-se para Salvador, onde passou a estudar fonoaudiologia na Universidade Federal da Bahia, conciliando a rotina acadêmica com um trabalho formal. Até que, de repente, foi fisgada pelo mundo da moda. Incentivada por uma amiga, decidiu mudar a rota; trancou a faculdade e se lançou como modelo. O plano foi bem-sucedido. Neste ano, ela fez a estreia nas passarelas internacionais na semana de moda de Paris pela Loewe, com contrato de exclusividade. "Foi maravilhoso ver o Jack [McCollough] e Lazaro [Hernandez] de perto. Parece que a mente deles é conectada." Mariane Calazan A modelo mineira Mariane Calazan Flore Lorente Se existe uma palavra que define os últimos meses de Mariane Calazan, é intensidade. A modelo de 36 anos, natural de Belo Horizonte, teve um début simbólico no circuito internacional em dezembro do ano passado, após 15 anos de carreira. A sua estreia foi em uma passarela inusitada: no metrô nova-iorquino, ocupado pela Chanel de Matthieu Blazy, no segundo desfile do designer para a maison. Descoberta por um olheiro de shopping e recordista de temporadas do São Paulo Fashion Week, a mineira emplacou, desde então, as duas apresentações seguintes da grife francesa: em janeiro deste ano (alta-costura) e em março (prêt-à-porter) inverno 2026, ambas realizadas em Paris. "Foi a realização de um sonho. Matthieu tem sido muito importante. Ele é uma pessoa querida, leve, para cima e gentil. Nesse último desfile, ele falou para aproveitarmos, nos divertirmos e respirarmos", conta sobre os bastidores. O maior conselho da modelo não poderia ser outro: nunca desistir. "O que mais marca a minha história é esse processo. Trabalhei muito e com praticamente todas as marcas brasileiras antes de conseguir essa oportunidade. Então, acredite, tenha foco e persistência". Gabriela Nied A modelo gaúcha Gabriela Nied Flore Lorente Antes da moda se tornar sua paixão, era a dança que ocupava esse lugar na vida de Gabriela Nied. Natural de Lajeado, no Rio Grande do Sul, ela começou a fazer cursos aos 10 anos e integrou grupos e coletivos até ser notada por um olheiro de agência na saída da escola. O convite surtiu efeito. Há exatamente um ano, a modelo estreava na passarela da Louis Vuitton, em Paris, com contrato de exclusividade. Desde então, ampliou o portfólio com grifes como Dior, Balmain, Carolina Herrera, Marc Jacobs, Loewe e Celine — esta última responsável por uma de suas experiências mais marcantes. “Tive a oportunidade de trabalhar por um longo período com Michael Rider dentro do ateliê da marca. Ele tem uma didática com as modelos e com a marca muito diferente de tudo o que já vivi com outros estilistas e designers.” Fotos: Flore Lorente Direção de arte: Alexandre Montagner Edição de moda: Victor Borges Assistente de fotos: Maurine Pret Inscreva-se no canal da Vogue Brasil no YouTube