Roberta Ferro Hipólito, mulher de Leandro Silva Souza, o morador morto ontem durante operação da polícia no Rio Comprido, nega que tenha havido confronto e sustenta que foram os policiais que derrubaram sua porta usando granada e entraram atirando. Um desses tiros é que teria atingido seu marido. Ela diz também que foi induzida por um policial, que estaria com o rosto coberto, a acusar os bandidos pela morte do marido, o que ela se recusou a fazer. 'Eles entraram já atirando': veja contradições nas versões da família de homem morto no Morro dos Prazeres e da PM Morador é morto em 'ação covarde' de traficantes no Morro dos Prazeres, diz PM -- Quando eu saí para fora, ele falou assim: você tem que ir à delegacia expressar o seu depoimento e falar que o bandido atirou no seu marido. Eu falei: eu não vou falar, porque não vi bandido atirando no meu marido -- disse a mulher, ao comparecer nesta manhã ao Instituto Médico Legal para tentar liberar o corpo. Roberta disse não ter condições de identificar o policial que a teria induzido a mentir, porque ele estava com o rosto coberto. Ela reafirmou que não houve confronto, que policiais derrubaram sua porta com uso de granada e entraram atirando. Um dos tiros atingiu Leandro na região da cabeça. Roberta voltou ao IML nesta manhã, acompanhada de familiares de Leandro, para tentar liberar o corpo, mas disse que estava enfrentando dificuldades porque todos os documentos — do marido e dela — desapareceram após o ocorrido. Ela acusa os policiais de terem levado os papéis, o que agora estaria dificultando a liberação e, posteriormente, o sepultamento. -- Nem a dignidade de mandar o corpo para os pais se despedirem a gente está tendo. Não bastava ter levado a vida dele. Até os documentos levaram -- acusou. Leandro nasceu no Piauí, onde ainda moram seus pais. Ele estava no Rio havia cerca de quatro anos. Roberta também é de lá, mas morava em Brasília quando os dois se conheceram pela internet. O casal planejava voltar para o estado natal e só então ter o sonhado filho. Roberta contou que o marido era uma pessoa querida, solícita, amado por amigos e familiares. Era amante do futebol e torcia pelo Palmeiras. Sua principal forma de lazer eram as peladas semanais com os amigos no Aterro do Flamengo. Initial plugin text