Onde foi parar a fortuna de Adriano da Nóbrega? MP rastreia bens e descobre compra de imóvel por parlamentar

Imóveis avaliados em R$ 3,5 milhões, atribuídos ao miliciano e ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, tiveram como destino a venda pela viúva Júlia Lotufo, segundo investigação do Ministério Público do Rio (MPRJ). A descoberta abriu uma nova frente de apuração sobre o patrimônio deixado pelo ex-PM e embasou o avanço da ofensiva que resultou em dois mandados de prisão. Ao todo, 19 pessoas foram denunciadas. O Grupo de Atuação Especializada no Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ fez o rastreio de bens que estavam em nome deAdriano da Nóbrega, morto em 2020, pela polícia da Bahia, a fim de recuperar o espólio oculto da organização criminosa do miliciano. Na lista de compradores, está o deputado federal Rogério Teixeira Júnior, conhecido como Juninho do Pneu. O parlamentar foi denunciado, mas não há mandados expedidos contra ele. Segundo a investigação, imóveis e outros ativos atribuídos ao miliciano acabaram sendo vendidos pela viúva, num movimento que, para os promotores, ajuda a mapear como o patrimônio do ex-policial foi administrado após sua morte e quem teria se beneficiado dele. A "Operação Legado", como os promototes batizaram a ação, desencadeou três ações penais. Segundo a denúncia, a negociação desses bens não ocorreu de forma isolada. Para o Gaeco, ela integra um contexto mais amplo de ocultação e circulação de patrimônio ligado a uma das figuras mais emblemáticas da milícia fluminense. A descoberta reforçou a linha investigativa de que, mesmo após a morte de Adriano, a estrutura financeira em torno dele continuou operando por meio de pessoas próximas. Foi nesse avanço da investigação que surgiram os mandados de prisão. As ordens judiciais miram suspeitos de participação no esquema de lavagem e ocultação de bens, além de pessoas apontadas como responsáveis por dar aparência legal a um patrimônio que, segundo os investigadores, teria origem ilícita. Ao localizar o caminho percorrido pelos bens de Adriano, o Ministério Público sustenta ter dado um passo importante para desmontar a rede que sobreviveu ao ex-capitão.