Viúva de homem morto no Morro dos Prazeres diz que bandidos seguraram cachorro para não latir e prometeram se entregar à PM

Um dia após ver o marido ser morto por um tiro dentro de casa, no Morro dos Prazeres, a viúva Roberta Ferro Hipólito lembra dos momentos de tensão que viveu na quarta-feira. A quitinete em que morava com o companheiro, ajudante de cozinha Leandro da Silva Sousa, foi invadida por traficantes durante uma operação policial na comunidade. Segundo a Polícia Militar, o casal foi sequestrado e, após negociação e tiros disparados pelos criminosos, os agentes revidaram. A mulher rebate: diz que não foi feita refém, mencionando que os criminosos prometeram se entregar, mas que a polícia invadiu o imóvel usando uma granada e abrindo fogo. Roberta e Leandro dormiam no quarto quando foram surpreendidos pelos criminosos. Ao todo, conta ela, quatro bandidos invadiram o imóvel. A versão da polícia contabiliza seis suspeitos no local. Ainda segundo o relato da viúva, um dos criminosos ainda segurou o cachorro da família para o animal não latir, e disse para que o casal ficasse tranquilo: a promessa foi que não atirariam e que, quando a polícia chegasse, iriam se entregar. As armas foram colocadas junto à cama. O momento de maior tensão, lembra ela, foi quando os policiais cercaram o imóvel. Segundo ela, não houve negociação para que os criminosos liberassem o casal. — Quando ouvi (o policial falar) "pega a granada", imaginei: vai todo mundo morrer — detalha Roberta, que esteve no Instituto Médico-Legal nesta quinta-feira, para tentar liberar o corpo do marido. A mulher contou ainda que a porta da quitinete foi derrubada com o explosivo, momento em que os policiais entraram atirando. Um dos disparos atingiu Leandro na nuca, que morreu na hora. Outras acusações Roberta enumera ainda outras acusações aos policiais envolvidos na ação. Segundo ela, um policial tentou induzi-la a mentir em depoimento, falando que ela deveria dizer à Polícia Civil que um bandido atirou no marido. A viúva menciona ainda que a família está enfrentando dificuldades para a liberação do corpo de Leandro por conta do desaparecimento dos documentos do casal durante a operação. — Não bastava ter levado a vida dele. Até os documentos levaram — acusou os policiais.  Procurada sobre essas acusações, a PM não respondeu até a publicação desta reportagem.