Antes da estreia, Laila Garin pede bênção a Marieta Severo para viver personagem icônica

Quase duas décadas após marcar o teatro brasileiro com interpretações memoráveis, "As Centenárias" volta aos palcos em uma nova leitura que aposta na música e na força da cultura nordestina. A montagem estreia no dia 10 de abril no Teatro Carlos Gomes, no Centro do Rio, agora protagonizada por Laila Garin e Juliana Linhares. Globo de Ouro: Bruna Marquezine usa vestido de R$ 32 mil e repete look de Teyana Taylor Quem foi acompanhado? Veja os casais no Golden Globes Tribute Gala Brazil Antes de assumir o papel de Dona Socorro, eternizado por Marieta Severo, Laila buscou um gesto simbólico: pediu a bênção da atriz, estabelecendo um elo entre a nova encenação e a história da obra. Escrito por Newton Moreno, o espetáculo ganha uma versão musical inédita, incorporando 16 canções originais de Chico César, algumas com letras do próprio autor do texto. A trilha não surge apenas como complemento, mas como elemento central da narrativa, ampliando a presença da oralidade e das tradições populares. A direção é de Luís Carlos Vasconcelos, e o elenco conta ainda com Leandro Castilho. Na trama, duas mulheres centenárias percorrem o sertão realizando rituais de despedida, em um enredo que mistura humor e emoção para abordar temas como memória, morte e resistência. A nova montagem, idealizada por Andréa Alves e Juliana Linhares, reforça o vínculo da história com o universo nordestino, tanto na linguagem quanto na musicalidade. Para Laila Garin, revisitar personagens já consagrados é também um processo de investigação artística. "É muito doido tirar do papel essas personagens inspiradas pela montagem de Aderbal Freire Filho, com Marieta Severo e Andréa Beltrão. Inclusive, fui pedir a bênção de Marieta Severo para encarnar Dona Socorro, e ela me deu a bênção. Nesse processo, a gente foi descobrindo qual é a cara dessa montagem de agora, para além das músicas originais de Chico César. Como canta essa Dona Socorro? Como é esse corpo de 111 anos? Estou num momento de encantamento ao descobrir as belezas entranhadas nesse texto", afirma a atriz. A parceria entre Laila e Juliana também nasce de um desejo antigo de colaboração, que encontrou na peça o espaço ideal para se concretizar. "Eu já tinha vontade de fazer algum projeto com a Laila há muito tempo, e um dia surgiu a ideia: e se a gente fizesse 'As Centenárias'? Com duas atrizes nordestinas e cantando. Como o carpir está ligado ao canto, pensei que as canções poderiam surgir desse choro. A música para mim é um motor dessa montagem, assim como o Nordeste, o jeito de falar, as palavras e o canto criam um lugar muito musical dentro da história", comenta Juliana. Responsável pela trilha inédita, Chico César explica que o processo de criação partiu diretamente da dramaturgia. "Recebi o texto de Newton Moreno já com indicações de onde as canções deveriam entrar, muitas vezes com trechos de letras. Respeitei isso e fui adaptando. É um texto muito bonito e muito forte, que traz a voz da mulher brasileira com essência nordestina. Todos nós que temos origem no sertão conhecemos essas mulheres fortes, poderosas, transcendentes. A música nasce justamente dessa força", diz o compositor.