O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analise elementos reunidos pela Polícia Federal(PF) antes de avaliar o pedido de arquivamento da investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados sobre a venda de joias sauditas recebidas pelo governo brasileiro. Segundo Moraes, a PGR pediu o encerramento do caso, mas não se manifestou sobre o material encaminhado pela Polícia Federal relativo ao investigado Frederick Wassef. Esse material surgiu a partir das quebras de celulares apreendidos de Wassef, que é advogado da família Bolsonaro. Segundo a PF, o advogado participou da "operação de resgate" de kits de joias que tinham sido negociados no exterior, e tiveram de ser recuperados para a entrega às autoridades. Ele recomprou nos Estados Unidos um relógio da marca Rolex vendido pelo tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. O Rolex foi um dos itens dados de presente ao governo brasileiro pelo governo da Arábia Saudita. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Inquérito das joias No início do mês, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o arquivamento do caso que apura a prática dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Segundo Gonet, a legislação não é clara sobre a quem pertence um presente recebido no exercício do cargo, se ao presidente ou à União. “Como se viu, a natureza jurídica dos presentes ofertados a Presidentes da República permanece controvertida, sem disciplina legislativa específica, sujeita a interpretações administrativas divergentes, inclusive no âmbito da sistemática do controle externo", diz um trecho do documento. A posição da PGR contraria o entendimento da Polícia Federal (PF) que, em julho de 2024, indiciou o Jair Bolsonaro e mais onze pessoas pelo desvio e venda de joias presenteadas ao governo brasileiro. O ex-presidente foi indiciado por peculato — quando um funcionário público se apropria de dinheiro ou bens a que tem posse em razão do cargo —, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Entre os indiciados também estão: o ex-ministro de Minas e Energia, almirante da reserva Bento Albuquerque; o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro; o pai de Mauro Cid, general da reserva Mauro Cesar Lourena Cid; Frederick Wassef, ex-advogado de Bolsonaro; e Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro. Para a PF, os investigados cometeram o crime de desviar presentes de alto valor dados por Arábia Saudita e Bahrein ao governo brasileiro durante o período em que Bolsonaro era presidente. Frederick Wassef, advogado de Bolsonaro, teve celulares apreendidos em investigação sobre venda de joias Dida Sampaio/Estadão Conteúdo