Em SP, Lula diz que Haddad é ministro 'mais exitoso da história' e critica Tarcísio: ‘Prefeitos de São Paulo são mal recebidos pelo governo do estado'

Na expectativa do anúncio de Fernando Haddad (PT) como pré-candidato ao governo de São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um evento marcado por elogios ao ministro, críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e por acenos a prefeitos paulistas. — Pelo que estou sabendo, os prefeitos de São Paulo são mal recebidos pelo governo do estado de São Paulo — disse durante discurso na 17ª Caravana Federativa, se direcionando para uma plateia de prefeitos e vice-prefeitos paulistas. O evento serve para orientar e atender os gestores em demandas sobre programas federais, como o Minha Casa, Minha Vida, empréstimos do BNDES, obras de saúde, educação e ações de transparência. O presidente foi acompanhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e por mais 14 ministros, que fizeram discursos destacando as ações do governo federal no estado, considerado uma das prioridades de Lula na disputa eleitoral de outubro — São Paulo concentra cerca de 22% dos eleitores do país. Nas falas tanto de Lula quanto de seus ministros, foi exaltado o “municipalismo” e o pacto federativo, com o petista dizendo que não olha o partido dos gestores municipais para repassar recursos. Outra crítica feita por Lula a Tarcísio foi direcionada a grandes projetos, tomando para si os méritos de obras-vitrine da gestão estadual, como o Túnel imerso que ligará Santos a Guarujá e a expansão de linhas de metrô, afirmando que o BNDES e o governo federal ajudam a custear esses projetos. — É importante lembrar que parte das grandes obras que o governo de São Paulo anuncia como se fosse dele, tanto o trem, quanto o túnel e metrô, é dinheiro financiado pelo BNDES em nome do governo federal — falou. – Aqui em São Paulo, praticamente 60% das casas construídas aqui é do Minha Casa, Minha Vida, que aqui eles dão o nome de Casa Paulista. E o governador tem inaugurado muitas dessas casas, e ele poderia pelo menos ter a singeleza de dizer “essas casas são feitas pelo governo federal, e eu pedi licença para chamar de Casa Paulista”. Que é um programa criado pelo Alckmin quando era governador. Nem nome ele criou, só plagiou. Reportagem do GLOBO mostrou que essa “briga de paternidade” em grandes obras no estado é uma estratégia que deve ser a tônica da campanha eleitoral de Haddad como maneira de se contrapor a Tarcísio. Outra crítica feita por ele foi endereçada à relação de Tarcísio com os prefeitos paulistas, dizendo que eles são “mal recebidos” pelo governador. A despedida de Haddad do Ministério da Fazenda deu o tom do evento. Essa quinta é o último dia de agendas dele como titular da pasta, e à noite ele deve anunciar sua pré-candidatura ao governo paulista, em um pronunciamento no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, berço da trajetória política de Lula e local importante na história do PT. Lula disse que Haddad "certamente vai passar pela história como o ministro da Fazenda mais exitoso desse país porque aprovou uma reforma tributária que há 40 anos se esperava". Haddad destacou o “pacto federativo recuperado por Lula” como fator essencial para redução do desemprego e da inflação, também acenou aos prefeitos como atores importantes para o crescimento da economia, e citou brevemente a eleição deste ano. — Eu quero cumprimentar os prefeitos do Brasil, de São Paulo, porque sem o pacto federativo ter sido recuperado, nós não teríamos chegado até aqui. Quando eu digo chegar até aqui, estou falando que era muito difícil, nas condições econômicas herdadas, fazer a economia crescer o dobro da média dos dez anos anteriores a 2023 como nós conseguimos — falou. Com apenas quatro prefeitos eleitos em 2024, o PT enfrentará desafios principalmente no interior, historicamente mais resistente a candidaturas de esquerda ao governo de São Paulo. Nesses casos, a estratégia tanto de Lula quanto de Haddad na campanha será destacar investimentos do governo federal em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), entregas de moradias do Minha Casa, Minha Vida, e transferência de recursos para a saúde e educação, por exemplo. — O presidente da República determinou a todos os seus ministros que nós olhássemos para o interesse da população, que nós não olhássemos para a religião, time de futebol, partido dos prefeitos, vereadores, não, que a gente olhasse a necessidade daquele investimento. Nós tínhamos que viabilizar aquele empreendimento, eu não quero perder de vista a recuperação do pacto federativo, essa recuperação é essencial porque foi o segredo do crescimento de 2002 a 2010 e está sendo o segredo do crescimento da nossa economia agora. Esse espírito vai nortear as eleições, esse espírito vai nortear a parceria dos eleitos em prol da população — falou Haddad. Em sua fala, Alckmin destacou o trabalho do colega na Fazenda, principalmente em relação à Reforma Tributária e à isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, o que deve ser uma das ações destacadas tanto por Haddad na campanha em São Paulo, quanto por Lula. — Quero fazer um agradecimento especial ao ministro Fernando Haddad, citando duas questões: o imposto de renda que é o imposto da justiça tributária, e do outro lado a Reforma Tributária, que desonera investimentos e aumenta exportação. São Paulo é um estado muito industrial e exportador, e vai ser muito beneficiado. Haddad, quero dizer que você tem uma das raras virtudes da vida pública, que é a coragem da moderação. É um exemplo para todos nós que nos dedicamos a servir a nossa população — falou o vice-presidente. Gleisi Hoffmann, ministra de Relações Institucionais, afirmou que Lula é um “presidente municipalista” e tem ajudado “no combate à pobreza e na geração de empregos em São Paulo”, e também citou o trabalho de Haddad na isenção do IR em seu discurso. Projetos sancionados No encontro, Lula sancionou dois projetos de lei, e anunciou uma série de investimentos nas áreas de mobilidade, saúde, habitação e desenvolvimento sustentável focados nos municípios paulistas, tanto na capital, quanto no interior. Foi o projeto de lei complementar que reduz as alíquotas para indústrias químicas e petroquímicas participantes de regime fiscal especial até sua migração para um novo regime com vigência em 2027. O projeto foi aprovado no mês passado no Senad, e prevê que as alíquotas referentes ao pagamento menor de PIS e Cofins valerão de março a dezembro de 2026, para substituir outras que haviam sido vetadas em um outro projeto, por falta de previsão orçamentária. O outro projeto sancionado autoriza o uso de até R$ 500 milhões do Fundo Garantidor de Operações (FGO), administrado pelo Banco do Brasil, para cobrir ações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).