O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que decisões como as de Gilmar Mendes representam uma interferência grave que esvazia o poder do Parlamento. Nesta quinta-feira, 19, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a quebra de sigilo do fundo Arleen , que comprou parte do resort ligado ao também ministro Dias Toffoli no interior do Paraná. "Decisões dessa natureza inviabilizam e esvaziam o poder investigatório do Parlamento", destacou Contarato. "Trata-se de uma interferência grave nas prerrogativas constitucionais do Poder Legislativo, comprometendo o andamento das investigações e enfraquecendo o combate ao crime organizado." O senador reforçou que recebeu com indignação a anulação de um medida deliberada um dia antes, na quarta-feira 18, pelo colegiado . Contarato destaca que o respeito às decisões judiciais não pode se confundir com "concordância passiva" diante de atos que afrontam a Constituição e "limitam o dever desta Comissão de apurar fatos de inequívoco interesse público". Para o petista, a definição do rito de votação de requerimentos constitui matéria interna do Parlamento, não sujeita à ingerência de outro Poder. Diante disso, ele afirmou que protocolará um recurso de forma imediata para "restabelecer a autoridade do Poder Legislativo e assegurar o pleno funcionamento" da CPI do Crime Organizado. + Leia mais notícias de Política em Oeste Por fim, a presidência do colegiado destacou que não se curvará a qualquer tentativa de obstrução. "Seguiremos atuando com independência, firmeza e rigor para esclarecer os fatos", disse Contarato. "Garantir à sociedade as respostas que ela exige." A alegação de Gilmar para derrubar sigilo referente ao Master Para anular a quebra de sigilo do fundo Arleen, Gilmar argumentou que decisões como essa não podem acontecer por votação em bloco ou simbólica. Em decisão, o ministro diz entender que “diante da gravidade de que se reveste o requerimento de quebra de sigilo, a Constituição demanda, ainda segundo aquela decisão, análise fundamentada de cada caso, com debate e deliberação motivada, de modo que a aprovação de atos de tal natureza não pode ocorrer em bloco nem de forma simbólica”. Os ministros Dias Toffoli (esquerda) e Gilmar Mendes durante sessão do STF - Brasília (DF), 5/12/2024 | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil O ministro Dias Toffoli era sócio anônimo da Maridt, oficialmente administrada pelos dois irmãos dele. A companhia era dona de 33% do Tayayá Resort que foram vendidos para fundo Arleen, do pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master. Em fevereiro, Gilmar já havia derrubado a quebra de sigilos da Maridt . A CPI do Crime Organizado havia estabelecido a entrega de dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos (de mensagens e e-mails). O post Presidente da CPI do Crime Organizado diz que decisão de Gilmar ‘esvazia’ o Parlamento apareceu primeiro em Revista Oeste .