Deputada que fez blackface na Alesp se declarou parda à Justiça eleitoral; Erika Hilton pede investigação

A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL), que fez blackface durante sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) na última quarta-feira (18), se declarou parda à Justiça Eleitoral ao oficializar sua candidatura em 2022. Durante seu discurso na Alesp, entretanto, ela mesmo disse ser “uma pessoa branca”. Fabiana se pintou de marrom no plenário, enquanto fazia um discurso criticando a escolha da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. Ela afirmou que mulheres trans não são mulheres, e tentou fazer uma comparação dizendo que, ao se pintar, de preto, também não viraria uma pessoa negra. Nesta quinta (19), Erika Hilton acionou a Justiça Eleitoral para pedir a instauração de inquérito policial eleitoral contra a deputada estadual. A representação de Hilton aponta que, ao se declarar parda nas eleições de 2022, Fabiana pode ter cometido o crime de falsidade ideológica eleitoral. Isso porque o número de candidaturas de pessoas pretas e pardas impacta no Fundo Especial de Financiamento de Campanha, que distribui recursos proporcionais a partidos que mais têm candidatos negros, a fim de promover a equidade racial no processo eleitoral. Segundo Hilton, há uma “contradição” entre o benefício obtido por meio da autodeclaração racial e a “posterior banalização da identidade racial em um ato público marcado pelo uso de blackface, prática reconhecida como expressão de racismo”. A conduta de Fabiana deve ser analisada pelo Conselho de Ética da Alesp, após 18 deputados protocolarem uma representação pedindo a perda de mandato da parlamentar. Não há prazo para a análise. No pedido encaminhado ao Conselho de Ética, os parlamentares argumentam que, ao se pintar na tribuna, a deputada praticou racismo e também transfobia em seu discurso, ultrapassando os limites da liberdade de expressão o que, portanto, não poderia ser abarcado pela imunidade parlamentar. — Eu sendo uma pessoa branca, vivendo tudo o que vivi como uma pessoa branca, agora aos 32 anos decido me maquiar, me travestir como uma pessoa negra. E aqui eu pergunto: e agora? Eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade por uma pessoa negra, que jamais deveria existir? Eu te pergunto, eu me pintando de negra sinto na pele a dor que uma pessoa negra sentiu pelo racismo? — falou Fabiana na quarta, na tribuna da Alesp, enquanto passava uma base marrom em seu rosto e em seu corpo. A deputada estadual Monica Seixas (PSOL) também registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) por racismo, e a bancada do PSOL afirmou que pedirá que o Ministério Público investigue o caso.