Seap investiga 'máfia de cigarros' dentro dos presídios do RJ Reprodução/TV Globo A Corregedoria da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) investiga cinco policiais penais suspeitos de participação em um esquema para facilitar a entrada irregular de cigarros em presídios do RJ. O grupo é chamado de "máfia interna". Todos os servidores foram afastados das funções. Entre eles, há um diretor de unidade que foi exonerado. De acordo com relatórios da secretaria, há uma disputa entre policiais penais pelo monopólio do fornecimento de cigarro nas cadeias do Rio. O grupo era responsável por colocar, de forma irregular, uma grande quantidade de cigarros no interior dos presídios. Todos os produtos eram contrabandeados ou falsificados, o que reforça a suspeita de envolvimento dos policiais penais com a máfia de cigarros no Rio, ligada a Adilson Coutinho Filho, o Adilsinho. Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Adilsinho foi preso no dia 26 de fevereiro em Cabo Frio, na Região dos Lagos, depois de anos de buscas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Bicheiro Adilsinho foi preso pela Polícia Federal em Cabo Frio Reprodução Em 2025, a Seap apreendeu 1.400 maços de cigarro que foram enviados para o sistema pelos correios ou em visitas. Uma das cargas apreendidas foi de 400 maços em novembro de 2025. As apreensões levaram a Seap a abrir uma sindicância interna. Nas unidades prisionais do Rio, o cigarro é uma especie de moeda de troca. Vale como dinheiro nas mãos dos presos. As suspeitas levaram a Seap a publicar, em janeiro, uma resolução que regulamenta a entrada de cigarros unidades prisionais. A entrada dos itens nos presídios agora é permitida pela Seap desde que obedeça as seguintes regras: Podem entrar até 12 maços com os visitantes presenciais; Os itens também são vendidos pelas cestas de custódia, uma venda de produtos on-line para as famílias dos presos que são cadastradas. Além de produtos de higiene e alimentos, há cigarros legalizados. Carga com cerca de 400 maços de cigarro foi apreendida pela Seap em novembro de 2025 Reprodução/TV Globo Mortes suspeitas De acordo com relatório da Seap, um grupo teria determinado que todo cigarro vendido nas unidades prisionais deveria pertencer exclusivamente a sua organização. A resistência do grupo que detinha o monopólio anterior, segundo o documento, desencadeou uma guerra que teria ocasionado ao menos três mortes, incluindo a execução do policial penal Bruno Killier no Recreio dos Bandeirantes, em junho de 2023. Segundo a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), Killier foi morto pelo grupo de Adilsinho. Na investigação da DHC, não consta a participação do policial penal na venda de cigarros em presídios, mas pessoas ouvidas pelo RJ2 não descartam essa possibilidade. Bruno Killier foi subdiretor do presídio de Bangu 4. Na época da morte, a mulher dele confirmou à polícia que o casal trabalhava com a venda de cigarros. Segundo a Seap, o grupo suspeito de vender cigarros ilegais nas cadeias conta com o suposto apoio da contravenção penal de Duque de Caxias. Segundo investigações das polícias Civil e Federal, o grupo citado no relatório da Seap é comandado por Adilsinho. Ainda segundo o documento, a disputa pelo controle de cigarros nos presídios teriam provocado outras duas mortes: de Cristiano de Souza, dono de uma tabacaria no Recreio dos Bandeirantes; E do ex-policial militar Daniel Mendonça. “Acendeu um alerta para Seap e, em razão disso, a gente decidiu aprimorar, normatizar, de uma forma que mais restringisse a entrada desse material pela família”, afirmou a secretária Maria Rosa Nebel.