Mendonça analisou uma petição apresentada pela defesa do empresário informando a intenção de colaboração. Segundo o blog apurou, Vorcaro já firmou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e com a Polícia Federal (PF) o que abriria caminho para uma eventual delação premiada. A defesa pediu que, diante desse cenário, o empresário fosse transferido para prisão domiciliar. O ministro, no entanto, rejeitou o pedido. Na decisão, Mendonça optou por transferir o banqueiro para a superintendência da PF, movimento visto por interlocutores como uma forma de manter o processo dentro dos trilhos institucionais, sem antecipar qualquer benefício antes da comprovação efetiva de colaboração. A interlocutores, o ministro tem sido enfático: só haverá homologação de delação se ela for consistente, completa e não seletiva. A avaliação no entorno de Mendonça é de que qualquer tentativa de poupar autoridades ou omitir fatos já conhecidos pelas investigações não será aceita — e pode inviabilizar o acordo. Outro ponto que chamou atenção nos bastidores foi o timing da decisão. Mendonça poderia ter aguardado até a próxima semana, mas optou por se antecipar. A leitura entre ministros é que a medida também teve o objetivo de esvaziar eventuais sinalizações que poderiam surgir no voto do ministro Gilmar Mendes, previsto para esta semana, no julgamento da Segunda Turma sobre a manutenção da prisão de Vorcaro. Circula nos bastidores do STF a possibilidade de que Mendes possa levantar questionamentos sobre as condições do sistema prisional federal, argumento que, em tese, poderia abrir espaço para flexibilizações. Ao agir antes, Mendonça fechou essa janela e reforçou sua posição: colaboração só terá valor se vier acompanhada de provas robustas e sem seletividade - e, até lá, não há espaço para mudança no regime de prisão.