'Uma mente brilhante': Amigos e filha lamentam perda de jornalista Mário Rolla, morto nesta quinta-feira aos 85 anos

Morreu na madrugada desta quinta-feira, aos 85 anos, o jornalista Mário Gustavo Rolla, ou apenas Mário Rolla, como foi chamado ao longo de mais de seis décadas de carreira. Rubro-negro aficcionado, o comunicador carioca se mudou ainda criança para Belo Horizonte, mas regressou posteriormente ao Rio de Janeiro. Ao longo de seis décadas de dedicação ao jornalismo, consolidou uma sólida carreira em meios de imprensa como O GLOBO, Jornal do Brasil e Correio da Manhã. INSS: Governo antecipa 13º a aposentados e pensionistas Combustíveis: Governo dá 48 horas para sete distribuidoras explicarem aumento de preços Teve, ainda, passagens por veículos como a Tribuna da Imprensa e o Jornal da Vale do Rio Doce, este criado por Rolla em 1975 a pedido do então presidente da estatal, Eliezer Batista. O jornalista Mário Rolla na redação do Jornal da Vale, o qual criou em 1975 Arquivo Pessoal Sob a chefia de Mário, o jornal acumulou indicações a prêmios nacionais e internacionais, além de ter abrigado intelectuais e ambientalistas do porte do Washington Novaes e Fernando Gabeira, a quem ele havia conhecido em Belo Horizonte, ainda no início da carreira de ambos. — Mário é um amigo de mais de 50 anos. Foi muito bom jornalista, estudioso da história e sempre com muito bom humor. Viemos numa mesma época para o Rio, jornalistas mineiros buscando oportunidades — lembra Gabeira — Fomos amigos até agora. Capital: Bolsa brasileira tem maior alta do mundo em dólar no ano; Argentina fica na lanterna A convivência entre Gabeira e Mário em Belo Horizonte é relembrada, inclusive, no documentário sobre o político e ex-revolucionário “Gabeira: Eu não fui preparado para a vida doméstica” (2017), de Moacyr Goés. "Minas foi não só o foco da revolução, como também o palco da discussão ideológica da época", narra Rolla, no filme "Assim como se falou depois em fauna humana de Ipanema, criou-se essa fauna humana mineira, muito intelectualizada e que teve uma ressonância muito grande". Na década de 1990, o carioca foi consultor da Brasif, grupo empresarial de investimentos, e há duas décadas trabalhava como assessor de imprensa da Dufry, multinacional da área de free shopping. — Um dos melhores redatores que conheci, e tinha muita noção de edição, pois já exercera a função em outros jornais. Muito criativo, tinha a vantagem de ser um redator rápido, o que naquela época era fundamental, pois o processo de edição era mais demorado — comenta o jornalista e presidente da Associação Brasileira de Letras, Merval Pereira, que trabalhou com Mário Rolla em O GLOBO — Tinha uma cultura política muito acentuada, conhecia os bastidores de Brasília, o que ajudava muito. Mário Rolla morreu quarta-feira em seu apartamento, na Rua Paissandu, no Flamengo, de infarto. Ele deixa a viúva Marília Abreu, poeta com quem foi casado por 50 anos, e a filha Malva, empresária de equipamentos equestres, prazer herdado do pai na fazenda da família em São Domingos do Prata, município de 17 mil habitantes do centro-leste mineiro. — O que posso dizer do meu pai é que ele foi a pessoa mais inteligente que eu já conheci em toda a minha vida. Ele tinha uma mente brilhante para tudo, era extremamente prático, do tipo que resolve as coisas — conta Malva — E era um cara que adorava que fizessem festa. E quando as festas eram minhas, ele sempre virava o centro das atenções de todos. Segundo a família, o corpo de Mário será velado nesta sexta, a partir das 9h da manhã, na Capela B Premium do Crematório São Francisco Xavier, no Caju, na zona norte do Rio. A cerimônia de cremação está prevista para acontecer na sequência, às 11h.